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Morte de bebê em maternidade de Campo Grande abre investigação sobre atendimento obstétrico


Ministério Público apura óbitos fetais e neonatais na unidade que realiza cerca de 60% dos partos da cidade; denúncia aponta suspeita de negligência e violência obstétrica.
Bebê nasceu morto com marcas de machucado no ombro, durante parto na maternidade investigada pelo MPMS em Campo Grande (Foto: Arquivo pessoal). Por: Editorial | 06/03/2026 08:13

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou inquérito civil para investigar a qualidade da assistência obstétrica na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, após a morte de um bebê durante o parto, registrada em outubro de 2025. O caso chegou à Ouvidoria do órgão, levantando suspeitas de negligência médica e falta de atendimento humanizado.

A investigação é conduzida pela 76ª Promotoria de Justiça da Capital. A maternidade, administrada por associação privada, responde por aproximadamente 60% dos partos na cidade, realizando em média 650 nascimentos por mês.

O procedimento teve início como Notícia de Fato, mas foi ampliado após a identificação de outros óbitos fetais e neonatais recentes. Relatos públicos, matérias jornalísticas e um dossiê elaborado por famílias apontam possíveis casos de violência obstétrica na unidade.

O MPMS solicitou informações à maternidade e à Secretaria Municipal de Saúde sobre protocolos de atendimento, notificações aos sistemas de vigilância e atuação dos comitês de prevenção da mortalidade materna e infantil. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul também recebeu pedido de dados sobre sindicâncias relacionadas a mortes de bebês e denúncias de violência obstétrica. Vistorias na unidade estão previstas, e o Ministério da Saúde fornecerá parâmetros nacionais para comparação das taxas de óbitos fetais e neonatais.

A portaria que abriu o inquérito menciona ainda a Rede Alyne, criada em 2024 para fortalecer a atenção materna e infantil, e a Política Nacional de Humanização, voltada à qualificação do atendimento e à redução da mortalidade materna e infantil.

Em nota, o Ministério da Saúde reforçou que o parto deve ocorrer com equipes qualificadas, em ambiente adequado e com respeito à dignidade da mulher, à autonomia da gestante e à segurança do bebê.

O inquérito tramita em sigilo devido à sensibilidade das informações envolvendo pacientes e familiares, e não aponta responsabilidades neste momento. O objetivo é reunir informações técnicas para avaliar possíveis falhas e definir medidas, como recomendações ou termos de ajustamento de conduta.

O caso que motivou a denúncia ocorreu em outubro de 2025, quando o bebê nasceu morto. A família afirma que os médicos insistiram no parto normal, mesmo com exames indicando peso estimado elevado. A maternidade relatou que houve distócia de ombro, complicação grave e imprevisível, e que a equipe tentou o procedimento sem identificar falha no atendimento. Comissões internas de ética e de óbito abriram apuração.

Familiares contestam a versão da maternidade, alegando que o parto deveria ter sido cesáreo. Relatos indicam que a gestante apresentou exames mostrando que o bebê estava grande, mas o parto normal foi induzido. Segundo familiares, o recém-nascido sofreu devido à demora e à insistência do procedimento natural. Com informações: Campo Grande News




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