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Petróleo dispara e ultrapassa US$ 100 com escalada da guerra no Oriente Médio


Conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel pressiona mercado global de energia e levanta temores sobre bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz.
Colunas de fumaça se elevam após ataques a instalações petrolíferas em Teerã, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio (Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters). Por: Editorial | 09/03/2026 07:19

O preço do petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril neste domingo, 8 de março de 2026, impulsionado pela intensificação do conflito no Oriente Médio. A valorização ocorre em meio aos impactos da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que tem afetado diretamente a produção e o transporte de petróleo na região.

Na abertura das negociações na Bolsa Mercantil de Chicago, o barril do petróleo Brent, referência internacional da commodity, era negociado a US$ 101,19, registrando alta de aproximadamente 9,2% em relação ao fechamento da sexta-feira, quando havia encerrado o dia cotado a US$ 92,69.

Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, apresentou uma valorização ainda mais acentuada. Por volta das 20h, o barril era negociado a cerca de US$ 107,20, avanço superior a 16% em comparação com o valor de US$ 90,90 registrado no fechamento do pregão anterior. O aumento marca a primeira vez desde julho de 2022 que o petróleo ultrapassa a barreira simbólica de US$ 100.

Entre os fatores que pressionam os preços está a escalada do conflito no território iraniano, que tem provocado danos à infraestrutura energética do país e gerado incertezas sobre o fluxo de petróleo no mercado internacional. O cenário foi agravado após o anúncio de que o Irã escolheu o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo Ali Khamenei, morto em um ataque na primeira semana da guerra, como novo líder do país.

Na capital iraniana, Teerã, ataques recentes atingiram quatro depósitos de petróleo e um centro logístico de combustíveis. As explosões e incêndios provocaram grandes colunas de fumaça negra que cobriram o céu da cidade e mergulharam parte da capital em um ambiente descrito por moradores como semelhante ao anoitecer, mesmo durante o dia.

A fumaça densa se espalhou por diversos bairros da metrópole, acompanhada por forte cheiro de queimado e poluição atmosférica intensa. Em alguns pontos, as chamas continuavam ativas mais de 12 horas após os bombardeios.

Nas proximidades das áreas atingidas, forças de segurança passaram a controlar a circulação de pessoas, utilizando máscaras e roupas de proteção para evitar contato com os gases tóxicos liberados pelas explosões. Autoridades locais alertaram que as emissões podem causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, recomendando que a população permaneça em casa.

Segundo o Crescente Vermelho iraniano, grandes quantidades de hidrocarbonetos tóxicos, enxofre e óxidos de nitrogênio foram liberadas na atmosfera após os ataques. As explosões também provocaram danos estruturais em áreas próximas, incluindo o estilhaçamento de vidros em edifícios residenciais.

A crise provocou ainda impactos imediatos no abastecimento de combustíveis na capital. O governo local informou que a distribuição de gasolina foi temporariamente interrompida e posteriormente retomada com limite de 20 litros por veículo. A medida provocou longas filas em postos de combustíveis em diferentes regiões da cidade.

Além do impacto direto no Irã, o conflito tem provocado forte preocupação nos mercados globais de energia. Um dos principais pontos de tensão é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico com menos de 50 quilômetros de largura que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Pela região passa cerca de 25% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo.

Mesmo sem um bloqueio formal, a insegurança na área tem levado navios petroleiros a evitar a rota, o que afeta o fluxo da commodity, encarece o seguro das embarcações e pressiona os custos do transporte marítimo internacional.

Especialistas avaliam que, caso o conflito se prolongue por várias semanas, os impactos podem se ampliar para diversos setores da economia global. O aumento do preço do petróleo tende a influenciar diretamente a inflação, as taxas de juros, o câmbio e o desempenho dos mercados financeiros.

Para o Brasil, analistas apontam um efeito ambíguo. Por um lado, o país é um importante produtor e exportador de petróleo, o que pode gerar ganhos com a valorização da commodity. Por outro, a alta nos preços internacionais aumenta o risco de pressão inflacionária e pode levar ao encarecimento dos combustíveis no mercado interno.

Relatórios recentes indicam que já existe uma defasagem significativa entre os preços internacionais e os valores praticados no Brasil. Estimativas apontam que o diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras estaria cerca de 30% abaixo da referência global, enquanto a gasolina também apresenta diferença crescente em relação às cotações externas.

Diante desse cenário, o mercado acompanha com atenção os próximos desdobramentos do conflito e seus possíveis impactos sobre a produção, o transporte e a estabilidade do mercado global de energia. Com informações: IstoÉDinheiro




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