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Brasil tenta evitar que EUA classifiquem facções brasileiras como organizações terroristas


Chanceler Mauro Vieira discutiu o tema com o secretário de Estado Marco Rubio em meio a temores de possíveis ações militares na região.
Mauro Vieira e Marco Rubio discutiram relações diplomáticas e possível classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas (Foto: Reprodução/X). Por: Editorial | 09/03/2026 13:10

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na noite de domingo (8), para tratar de temas diplomáticos entre os dois países, incluindo a possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

A conversa também abordou a preparação para uma visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca, em Washington, D.C., onde ele pretende se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A intenção inicial era realizar o encontro ainda em março, mas a data ainda não foi confirmada devido à dificuldade de agendas.

Segundo fontes do governo brasileiro, Vieira manifestou preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos classificarem organizações criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

Diplomatas brasileiros avaliam que essa classificação poderia abrir caminho para ações mais duras por parte do governo norte-americano. Entre as preocupações está a possibilidade de que a medida seja usada como justificativa para operações internacionais de combate ao narcotráfico na região.

Fontes ligadas ao governo Trump indicam que a proposta é defendida por Rubio e pode ser apresentada nos próximos dias ao Congresso dos Estados Unidos para ratificação.

Pela legislação norte-americana, a designação de uma organização como terrorista estrangeira permite ao governo adotar uma série de medidas, incluindo sanções financeiras, bloqueio de ativos, restrições migratórias e outras ações contra integrantes ou apoiadores do grupo.

Além disso, a classificação pode permitir o uso de instrumentos de inteligência e capacidades militares do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em operações contra organizações consideradas ligadas ao narcotráfico ou ao terrorismo.

Para que um grupo receba a designação de FTO, três critérios principais precisam ser atendidos: ser uma organização estrangeira, envolver-se em atividades terroristas — ou ter capacidade e intenção de realizá-las — e representar ameaça à segurança nacional ou aos cidadãos dos Estados Unidos.

A discussão ganhou força após ações recentes dos EUA na região. Em novembro do ano passado, o governo americano classificou como organização terrorista o chamado Cartel de los Soles, grupo que Washington afirma estar ligado ao governo da Venezuela.

Meses depois, em janeiro deste ano, forças norte-americanas realizaram uma operação militar no país e capturaram o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, que passou a responder a acusações relacionadas a narcoterrorismo e tráfico de drogas em um tribunal em Nova York.

Diante desse cenário, o governo brasileiro busca manter diálogo diplomático para evitar que a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas tenha impactos políticos, jurídicos ou de segurança na região. Com informações: g1




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