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Alta do diesel pressiona mercado e sobe mais de 7% nos postos com tensão no Oriente Médio


Levantamento nacional aponta aumento no preço do combustível nos primeiros dias de março, enquanto dados oficiais da ANP ainda mostram variação menor.
Caminhão é abastecido com óleo diesel em posto de combustíveis em Brasília, em registro feito durante período de alta nos preços do combustível no país (Marcello Casal Jr/Agência Brasil). Por: Editorial | 12/03/2026 07:33

O preço do óleo diesel registrou forte aumento nos primeiros dias de março em diversos postos de combustíveis do país. De acordo com levantamento da empresa Edenred Mobilidade, realizado com base em informações de cerca de 21 mil estabelecimentos, o valor do combustível subiu mais de 7% no período, refletindo a instabilidade no mercado internacional provocada pela guerra no Oriente Médio.

Os dados fazem parte do Índice de Preços Edenred Ticket Log, que compara os valores praticados na primeira semana de março com os últimos sete dias de fevereiro. Segundo o estudo, o diesel S-10 apresentou aumento médio de 7,72%, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro. Já o diesel comum registrou elevação de 6,10%, subindo de R$ 6,44 para R$ 6,52 por litro.

Os números são mais elevados do que aqueles divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O levantamento mais recente da ANP, referente à semana encerrada em 6 de março, indica alta de 0,98% no diesel S-10, com preço médio de R$ 6,15 por litro. No diesel comum, o aumento foi de 0,83%, atingindo média de R$ 6,08.

Segundo o diretor de frete da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, a elevação está associada ao aumento das cotações do petróleo no mercado internacional, intensificado pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A tensão geopolítica também levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por mais de 20% do comércio mundial de petróleo.

Nas últimas semanas, o preço do barril chegou próximo de US$ 120, recuando posteriormente para cerca de US$ 90. Mesmo com essa redução, os reflexos já começaram a aparecer no mercado interno brasileiro, especialmente no diesel, que é o principal combustível utilizado no transporte rodoviário de cargas.

De acordo com Fernandes, aumentos no custo do diesel tendem a impactar rapidamente a cadeia logística e podem influenciar a inflação, uma vez que grande parte do transporte de mercadorias no país depende desse combustível. O executivo também relatou que alguns postos têm enfrentado dificuldades para repor combustível em determinados tanques ou bombas, o que pode indicar restrições de oferta caso os problemas logísticos provocados pelo conflito internacional persistam.

Apesar da elevação observada nos postos, a Petrobras ainda não anunciou reajustes oficiais nos preços do combustível nas refinarias. A estatal costuma avaliar o comportamento do mercado internacional e do câmbio antes de decidir por eventuais alterações nos valores.

A movimentação dos preços passou a ser analisada também pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A investigação foi aberta após a Secretaria Nacional do Consumidor solicitar apuração sobre aumentos ou previsões de alta nos preços da gasolina e do diesel em diferentes regiões do país, mesmo sem reajustes anunciados pela Petrobras.

Em meio às incertezas no mercado global, países membros da Agência Internacional de Energia anunciaram a liberação de aproximadamente 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas. A medida, considerada a maior já realizada pelo grupo, tem como objetivo ampliar a oferta e reduzir a pressão sobre os preços internacionais.

O levantamento da Edenred também aponta diferenças regionais no comportamento dos preços. A maior alta foi registrada na região Nordeste, onde o diesel S-10 subiu 13,17% e o diesel comum avançou 8,79%. O valor médio na região chegou a R$ 7,22 por litro.

Na análise por estados, Roraima apresentou o maior preço médio do diesel comum, alcançando R$ 7,84 por litro. O menor valor foi registrado em Pernambuco, com média de R$ 6,23. No caso do diesel S-10, Rondônia apresentou o preço mais elevado, com média de R$ 7,90 por litro, enquanto a Paraíba registrou o menor valor médio, de R$ 6,26.

Especialistas do setor afirmam que ainda é cedo para avaliar os impactos de longo prazo da crise internacional sobre o abastecimento no Brasil. Entretanto, a continuidade das tensões no Oriente Médio pode manter o mercado de combustíveis sob pressão nas próximas semanas. Com informações: Agência Brasil




Diário do Interior MS
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