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Apreensão de cocaína cresce 622% em MS após instalação de radar aéreo na fronteira do Brasil com Paraguai


Segundo Sejusp, aumento das apreensões ocorre nas estradas após traficantes reduzirem envio da droga por avião. Dados são de 31 de junho até 11 de agosto de 2021 em comparação com mesmo período de 2020.
Foto: Thales Group/CDN Comunicação/Divulgação Por: | 28/05/2023 18:08

Uma das principais rota da entrada de drogas no Brasil, Mato Grosso do Sul apreendeu após o início da operação de uma estação de radar em Ponta Porã - em junho deste ano, mais de uma tonelada de cocaína.

Segundo a secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), entre 30 de junho e 11 de agosto, quando o radar já estava em operação, foram apreendidos 1,057 tonelada de cocaína. A quantidade representa um aumento de 622% frente aos 146,4 quilos que foram apreendidos no mesmo período do ano passado. (Assista acima o vídeo da última grande apreensão de cocaína no estado).

O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, disse ao G1 que esse aumento está diretamente ligado a operação do equipamento.

"Depois que eles ativaram o radar, quem estava operando o tráfico de drogas no tráfego aéreo de baixa altitude, teve que migrar para as rodovias. Isso significa que todo tráfico de cocaína por terra aumentou. Mato Grosso do Sul chegou a registrar apreensões de 500 até 900 quilos nesse período", explicou ao G1.

O investimento de R$ 120 milhões, feito em 2018 pelos ministérios de Justiça e Segurança Pública e de Defesa foi feito para a instalação de três estações de radares completas no estado na região de fronteira.

Duas já haviam sido inauguradas: em Corumbá, no ano passado, e em Porto Murtinho, no mês de maio deste ano. A intenção do projeto é modernizar e ampliar a rede de vigilância do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro para coibir o tráfico de drogas e armas, entre outras funções.

Conforme o comandante do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária( BPMRv), tenente-coronel Wilmar Fernandes, o reflexo do aumento de apreensão de cocaína está diretamente ligado a operação do equipamento. Ele explicou que a grande última apreensão de cocaína foi no dia 27 de julho narodovia MS-134, entre as cidades de Nova Andradina e Batayporã, região sul de Mato Grosso do Sul. A droga, que pesou 500 quilos, estava escondida dentro de uma carreta.

A Estação

 

A plataforma foi construída pela Omnisys, empresa brasileira de alta tecnologia com atuação nos mercados civil, espacial, defesa e segurança. A empresa é uma subsidiária do Grupo Thales, empresa francesa que comercializa sistemas de informação e serviços para as indústrias aeroespacial, de defesa e de segurança. Segundo Luciano Macaferri Rodrigues, diretor-geral da Thales no Brasil, a estação trará mais segurança ao espaço aéreo da fronteira entre Brasil e Paraguai.

"Em cada estação temos dois radares. Um radar primário, que manda um pulso eletromagnético que navega no ar, encontra um objeto, que é o avião, e reflete um objeto, fazendo a leitura e identificando o avião, queiram eles ou não. Junto do radar primário, temos também o secundário, que é colaborativo. Esse radar faz uma pergunta pro avião e a aeronave que tem transponder responde se identificando", explica Rodrigues.

O espaço aéreo brasileiro é 100% monitorado a um nível de 30 mil pés, cerca de 10 mil metros, a altitude em que voam aviões comerciais. O monitoramento é realizado pela Força Aérea Brasileira (FAB). No entanto, existem alguns espaços, em baixa altitude, que alguns aviões ilícitos conseguiam voar sem serem identificados.

"O radar se comporta mais ou menos como um cone de sorvete. É uma máquina que está no chão, então quanto mais alto, maior a área coberta, e mais baixo, menor. Os novos radares têm uma tecnologia que ajuda no controle do espaço aéreo, de pouco menos de 5 mil pés para cima, e olhando também o tráfego não colaborativo, de aeronaves com drogas, cigarros, qualquer tipo de contrabando", afirma o diretor-geral da Thales.

Segundo Rodrigues, ao fazer um contato e identificar que aquele avião voando em baixa altitude não tem um plano de voo aprovado ou não quer se comunicar, a FAB é automaticamente alertada e toma os procedimentos necessários. Os novos radares são todos fabricados com tecnologia brasileira.

 

Mortes na fronteira estão ligadas ao tráfico de drogas

 

A região de fronteira entre o Brasil e Paraguai, conhecida pelas grandes apreensões de drogas, volta a ganhar destaque, agora em razão dos casos recentes de execuções (leia mais sobre os crimes abaixo). Nos sete primeiros meses deste ano, entre 1º de janeiro e 31 de julho, 87 pessoas foram executadas, segundo autoridades de segurança dos dois países.

A secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que nos sete primeiros meses de 2021, 53 pessoas foram executadas do lado brasileiro. Já em 2020, no mesmo período, foram 39 execuções.

Já do lado vizinho, conforme a polícia paraguaia, nesse mesmo período, 34 pessoas foram mortas por "matadores de aluguel", além de 21 corpos encontrados, que estão sendo investigados e não receberam atribuição a algum crime. Esses últimos, as autoridades não informaram se foram mortos por tiros. Referente ao ano passado, não foi informado o número de mortes.

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, informou ao G1 que o número de mortes na região de fronteira é decorrente do "prejuízo que o tráfico de drogas experimenta com o aumento de apreensões. Sendo que nos 7 primeiro meses de 2021, são mais de 480 toneladas de entorpecentes apreendidos".

"Com esse prejuízo, alguns traficantes buscam repor seus recursos com roubos a outros traficantes em busca de uma fonte mais rápida de recurso. Quando acontece uma sequência de roubos, isso gera uma sensação de insegurança e também um clamor público, o que faz com que a secretária de segurança fortaleça a estrutura da segurança pública na região com muita gente de fora", finalizou.

G1 MS



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