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Variedade de méis brasileiros evidencia diferenças de cor, textura e origem floral (Foto: Cristiano Menezes)
Por: Editorial | 27/03/2026 07:16
O mel, tradicionalmente associado a preços acessíveis, pode alcançar valores elevados no mercado brasileiro, chegando a até R$ 600 por litro quando produzido por abelhas sem ferrão. Esse alto custo está diretamente ligado às características dessas espécies nativas, que formam colônias menores e apresentam menor período diário de atividade, resultando em uma produção significativamente reduzida em comparação às abelhas com ferrão.
Enquanto o mel de abelhas africanizadas, amplamente comercializado, custa em média R$ 47 por litro, os méis de espécies sem ferrão variam entre R$ 120 e R$ 600. Além da menor oferta, esses produtos possuem características sensoriais diferenciadas, o que amplia seu valor no mercado, especialmente na alta gastronomia.
A composição desses méis também contribui para suas particularidades. Com maior teor de água, apresentam textura mais fluida e maior propensão à fermentação natural. Esse processo, aliado ao armazenamento em potes de cerume, influencia diretamente no desenvolvimento de sabores complexos, que podem remeter a notas de madeira ou até queijo.
O Brasil abriga mais de 250 espécies de abelhas sem ferrão, sendo que cerca de 100 já possuem iniciativas de manejo. Diferentemente do mel de abelhas com ferrão, que é classificado de acordo com a florada de origem, os méis dessas espécies são identificados pelo nome da própria abelha produtora, como jataí, mandaçaia, tiúba e borá.
Entre os méis de abelhas sem ferrão, destacam-se o borá, considerado uma iguaria de sabor suave com leve toque salgado, o jataí, conhecido pela acidez equilibrada e aroma amadeirado, o mandaçaia, de perfil delicado com nuances cítricas, e o tiúba, caracterizado pelo sabor doce e aroma floral marcante.
Já entre os méis de abelhas com ferrão, os mais comuns no mercado são classificados conforme a origem floral. O mel de laranjeira apresenta coloração clara e sabor suave, o de eucalipto possui tonalidade escura e maior concentração de minerais, enquanto o mel de bracatinga, também chamado de melato, tem origem em secreções de insetos e destaca-se pelo alto valor nutricional. Outros tipos incluem o mel silvestre, resultante de múltiplas floradas, e o cipó-uva, típico de regiões de Cerrado.
Apesar da ampla diversidade existente no país, grande parte dos produtos disponíveis nos supermercados ainda corresponde a misturas de diferentes méis, frequentemente sem especificação detalhada de origem. Esse cenário contrasta com o potencial brasileiro na produção de méis diferenciados, que vêm conquistando espaço crescente entre consumidores e chefs interessados em experiências sensoriais únicas. Com informações: g1
