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Médico desenvolveu receitas com figuras para ajudar pacientes com dificuldade de leitura a seguir corretamente o tratamento. (Foto: Arquivo Pessoal)
Por: Editorial | 30/03/2026 07:44
No Sertão de Pernambuco, um médico encontrou uma forma simples e inovadora de aproximar pacientes do tratamento de saúde: receitas com desenhos. A iniciativa surgiu após perceber que muitos pacientes, apesar de terem acesso à consulta e aos medicamentos, não conseguiam seguir as orientações por não saber ler.
O médico Lucas Cardim, que atua na saúde da família pelo SUS na zona rural de Petrolina, identificou que o analfabetismo e o letramento rudimentar eram barreiras invisíveis no tratamento de doenças, fazendo com que muitos continuassem adoecendo mesmo após o atendimento.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 11 milhões de pessoas no Brasil vivem essa realidade.
No início, o médico fazia os desenhos à mão nas receitas. Para indicar o horário do remédio pela manhã, usava o desenho de uma xícara de café; para o período da noite, desenhava lua e estrelas. A quantidade de comprimidos era representada por círculos.
Percebendo que isso tomava tempo da consulta, Lucas pediu ajuda ao amigo Davi Rios, engenheiro de software do Google, e juntos criaram a plataforma Cuidado para Todos.
A ferramenta funciona como um site com os medicamentos mais usados na atenção primária, onde o profissional pode selecionar ícones já prontos que indicam horário, quantidade e forma de uso. O receituário é então impresso com figuras, facilitando a compreensão do paciente.
Além disso, a plataforma também permite imprimir os ícones para serem colados diretamente nas caixas dos medicamentos, tornando o tratamento ainda mais acessível.
Um dos casos lembrados pelo médico é o de uma idosa diabética que sofria internações frequentes por descontrole glicêmico. Após receber orientação visual sobre o uso da insulina e dos dispositivos de medição, a paciente conseguiu estabilizar a doença e hoje está bem.
Atualmente, a plataforma já está presente em mais de 10 municípios e três distritos indígenas. O objetivo dos criadores é doar a tecnologia para que ela seja incorporada de forma permanente ao Sistema Único de Saúde, integrada ao Prontuário Eletrônico do Cidadão.
O Ministério da Saúde informou que já disponibiliza ferramentas de apoio para o atendimento de pessoas com baixo nível de letramento e vem ampliando o uso de pictogramas na rede pública. Com informações: g1
