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“Era nosso porto seguro”: filhas lamentam morte de mulher vítima de feminicídio em MS


Fátima Aparecida da Silva, de 57 anos, foi assassinada dentro de casa pelo próprio sobrinho em Selvíria.
Fátima Aparecida da Silva é lembrada pelas filhas como símbolo de força e união familiar (Foto: Arquivo Pessoal) Por: Editorial | 30/03/2026 13:28

A dor e a revolta ainda marcam a família de Fátima Aparecida da Silva, de 57 anos, vítima de feminicídio ocorrido no dia 23 de março, no município de Selvíria, interior de Mato Grosso do Sul. Seis dias após o crime, as filhas relembram a trajetória da mãe e descrevem a perda como irreparável, destacando o papel fundamental que ela exercia na família.

Em relatos emocionados, as filhas definem Fátima como uma mulher generosa, trabalhadora e responsável por manter a união familiar. Segundo elas, a vítima sempre esteve à frente das dificuldades, priorizando o bem-estar dos filhos e ajudando quem estivesse ao seu redor.

A história de vida de Fátima foi marcada por desafios desde a infância. Natural do interior de São Paulo, perdeu a mãe ainda muito jovem e assumiu responsabilidades precocemente, ajudando a cuidar dos irmãos e do pai. Sem acesso à educação formal, dedicou grande parte da vida ao trabalho rural.

Já na fase adulta, mudou-se para Selvíria, onde construiu sua própria residência e criou os quatro filhos. Mesmo diante das adversidades, manteve uma postura solidária e resiliente, sendo reconhecida pelos familiares como uma referência de força e acolhimento.

De acordo com as filhas, Fátima também enfrentou episódios de violência no primeiro relacionamento, criando as três filhas sozinha após a separação. Posteriormente, formou uma nova família, mas voltou a enfrentar dificuldades após a morte do companheiro, ocorrida há cerca de quatro meses.

O autor do crime, identificado como Maurício Mateus da Silva, de 21 anos, é sobrinho da vítima e morava nas proximidades. Conforme relato da família, apesar do comportamento considerado problemático, Fátima mantinha contato frequente e costumava ajudá-lo com apoio financeiro e alimentação.

A proximidade entre vítima e autor intensifica a comoção dos familiares, que contestam a versão apresentada pelo suspeito de que teria agido em legítima defesa. Segundo as filhas, o cenário encontrado na residência indica extrema violência.

Após o crime, o suspeito foi até um posto de combustíveis na tentativa de se limpar, mas funcionários acionaram a Polícia Militar. Ele foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada após audiência de custódia.

Fátima é a oitava vítima de feminicídio registrada em Mato Grosso do Sul em 2026. A família cobra justiça e pede que a memória da vítima seja respeitada, ressaltando que ela sonhava em se aposentar e viver com tranquilidade após anos de trabalho.

O caso segue sob investigação das autoridades competentes. Com informações: Jorna a Semana PP




Diário do Interior MS
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