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Sobrecarga e demora na readaptação expõem crise de saúde mental entre professores em Campo Grande


Servidor da rede municipal relata anos de espera por mudança definitiva de função enquanto enfrenta agravamento de transtornos psicológicos atribuídos a pressões no ambiente escolar e atrasos administrativos.
Professor da rede municipal de Campo Grande relata espera de quase três anos por readaptação definitiva de função e dificuldades relacionadas à saúde mental no ambiente de trabalho. (Foto: Wesley Ortiz) Por: Editorial | 10/04/2026 07:18

Um professor da rede municipal de Campo Grande relata estar há cerca de três anos aguardando a conclusão do processo de readaptação definitiva de função junto ao Instituto Municipal de Previdência. O servidor afirma que o período de espera tem intensificado um quadro de sofrimento psíquico desenvolvido ao longo da carreira no magistério.

O educador, que optou por não se identificar, diz ter ingressado no serviço público em 2016 sem histórico de problemas de saúde mental, mas que, a partir de 2018, passou a enfrentar episódios recorrentes de ansiedade e posteriormente diagnóstico de depressão. Segundo ele, as condições de trabalho, marcadas por cobranças constantes, prazos reduzidos e contatos fora do horário laboral, teriam contribuído para o agravamento do quadro.

Ele relata que, mesmo após afastamento parcial das salas de aula, continuou recebendo demandas profissionais em horários noturnos, o que teria ampliado o desgaste emocional. Em 2022, mediante orientação médica, solicitou a readaptação para outra função e passou a atuar em ambiente administrativo dentro da escola, onde afirma ter apresentado melhora clínica.

Apesar disso, o servidor informa que a mudança permanece em caráter temporário, sem conclusão definitiva do processo administrativo. Ele afirma que, conforme normas municipais, após determinado período de avaliação sem recuperação plena, a readaptação deveria ser consolidada, o que ainda não ocorreu em seu caso.

Atualmente, o professor desempenha atividades em biblioteca escolar, mas relata que o retorno a funções com maior contato direto com alunos e gestão provoca retorno dos sintomas, exigindo ajustes em sua medicação. Ele também menciona que outros profissionais da educação enfrentariam situações semelhantes, com longos períodos de indefinição funcional.

O servidor critica ainda o processo de avaliação pericial, afirmando que as consultas realizadas no instituto responsável seriam marcadas por constrangimentos e falta de acolhimento adequado. Segundo ele, a experiência de outros colegas na mesma condição reforça a necessidade de revisão dos procedimentos adotados.

A reportagem buscou posicionamento da administração municipal sobre as denúncias e sobre o andamento dos processos de readaptação, mas não houve retorno até o fechamento do texto. O espaço permanece aberto para manifestação. Com informações: Top Mídia News




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