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Vídeos conhecidos como “novelinhas das frutas” são investigados por possíveis impactos negativos no público infantojuvenil (Foto: Reprodução TikTok)
Por: Editorial | 01/05/2026 09:09
A popularização de vídeos curtos produzidos com o uso de inteligência artificial acendeu um alerta entre autoridades brasileiras. Conhecidas como “novelinhas das frutas”, essas produções virais passaram a ser alvo de denúncia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que identificou possíveis riscos à formação de crianças e adolescentes expostos a esse tipo de conteúdo.
A manifestação foi encaminhada por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que apontou incompatibilidades com diretrizes previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente em sua abordagem voltada ao ambiente digital. Segundo o órgão, os vídeos apresentam elementos considerados inadequados, como situações de adultização precoce, conflitos abusivos e violência simbólica.
A preocupação também é compartilhada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que destaca os efeitos desses conteúdos sobre o público infantojuvenil, especialmente por estarem em fase de desenvolvimento emocional e social. Para as instituições, a exposição frequente pode comprometer a compreensão de limites, respeito e relações saudáveis.
De acordo com a avaliação técnica, o formato repetitivo e a forma como esses vídeos são distribuídos nas plataformas digitais ampliam o alcance entre menores. Sistemas de recomendação acabam intensificando a exposição, o que agrava os possíveis impactos negativos.
Especialistas ligados à área de proteção à infância alertam que o consumo recorrente desse tipo de material pode levar à banalização de comportamentos agressivos e à normalização de relações consideradas inadequadas. Além disso, apontam que crianças e adolescentes ainda não possuem maturidade suficiente para interpretar criticamente esse tipo de conteúdo.
Diante do cenário, os órgãos recomendam maior supervisão por parte dos responsáveis, incluindo a vinculação de contas de menores de 16 anos a perfis familiares e o controle sobre o tempo de uso das plataformas. Também reforçam a necessidade de medidas que evitem práticas como o direcionamento de conteúdo e publicidade com base no perfilamento de crianças.
O caso amplia o debate sobre os limites da produção de conteúdo digital com uso de inteligência artificial e reforça a importância de políticas públicas e regulamentações que garantam a proteção integral de crianças e adolescentes no ambiente online. Com informações da CNN Brasil
