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Estudo aponta crescimento de publicações com desinformação sobre o chamado “PL da Misoginia” nas principais redes sociais do país (Paulo Pinto/Agência Brasil).
Por: Editorial | 11/05/2026 08:01
O Projeto de Lei 896/2023, conhecido como “PL da Misoginia”, tem sido alvo de uma ofensiva de desinformação nas redes sociais, segundo levantamento divulgado pelo Observatório Lupa. O estudo analisou publicações feitas entre 24 de março e 30 de abril de 2026 e identificou a circulação de informações falsas, teorias conspiratórias e conteúdos produzidos com inteligência artificial para distorcer o debate sobre a proposta.
Ao todo, os pesquisadores mapearam mais de 289 mil postagens na rede social X, além de 6,3 mil publicações no Facebook, 2,9 mil no Instagram e cerca de mil no Threads.
O projeto, aprovado pelo Senado em março, define misoginia como conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres. Caso seja aprovado pela Câmara sem alterações, o texto incluirá a “condição de mulher” na Lei do Racismo, prevendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para práticas discriminatórias enquadradas na legislação.
Segundo o observatório, o maior pico de engajamento ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação no Senado, impulsionado por uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira. O vídeo associava o texto aprovado a outro projeto que não fazia parte da proposta analisada, alcançando ao menos 751 mil visualizações em 24 horas antes de ser removido e republicado sem a referência incorreta.
Entre as narrativas falsas identificadas estão alegações de que o projeto restringiria a liberdade de expressão, poderia ser usado para perseguição política e até levaria pessoas à prisão por perguntas cotidianas, como questionar uma mulher sobre TPM.
O estudo também aponta a disseminação de conteúdos que sugeriam, sem fundamento, que a proposta poderia criminalizar trechos bíblicos ou provocar demissões em massa de mulheres para evitar processos judiciais.
Para os pesquisadores, as publicações exploram o medo como estratégia de engajamento e ignoram o ponto central da proposta, que trata de práticas discriminatórias que provoquem constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida em razão do gênero.
O relatório destaca ainda a atuação de influenciadores e agentes políticos na propagação dessas narrativas, além do uso crescente de discursos ligados à cultura “redpill”, que apresentam o projeto como uma ameaça aos homens. Com informações: Agência Brasil
