| Hoje é Sábado, 30 de Maio de 2026.

Europa endurece regras e força pecuária brasileira a rever nutrição do gado para manter mercado bilionário


Novas exigências sanitárias da União Europeia pressionam o Brasil a reformular protocolos nutricionais, reforçar rastreabilidade e ampliar o controle sobre o uso de antimicrobianos na cadeia pecuária.
Ministério da Agricultura articula medidas para adequar a pecuária brasileira às novas exigências sanitárias impostas pela União Europeia (Foto: Divulgação/MAPA). Por: Editorial | 18/05/2026 07:15

A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano acendeu um alerta em toda a cadeia pecuária nacional. A medida, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, impõe ao setor uma corrida por adequações técnicas e sanitárias para preservar um mercado estratégico que movimenta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano.

No centro das exigências está a restrição ao uso de antimicrobianos empregados como promotores de crescimento no gado de corte, prática amplamente utilizada em sistemas de confinamento e semi confinamento para elevar a eficiência alimentar e prevenir distúrbios metabólicos. Com a mudança, produtores brasileiros terão de revisar estratégias nutricionais e substituir compostos tradicionais por alternativas naturais, como probióticos, leveduras, óleos essenciais e extratos vegetais capazes de preservar o desempenho produtivo sem comprometer os padrões exigidos pelo bloco europeu.

Além da reformulação alimentar, o setor deverá intensificar mecanismos de rastreabilidade e segregação dos lotes destinados ao mercado internacional. Isso exigirá documentação rigorosa sobre a origem dos insumos, histórico sanitário dos animais e adoção de protocolos específicos que assegurem conformidade total ao longo da cadeia produtiva.

Outro desafio envolve o uso mais criterioso das formulações nutricionais baseadas em parâmetros técnicos, como os estabelecidos pelo sistema BR CORTE, com foco na melhoria da qualidade das pastagens, conservação adequada da silagem e redução de riscos associados à contaminação por micotoxinas. A estratégia busca fortalecer a imunidade natural do rebanho e reduzir a necessidade de intervenções medicamentosas.

O Ministério da Agricultura informou que o governo brasileiro já iniciou tratativas diplomáticas e técnicas com autoridades europeias para esclarecer os pontos considerados insuficientes e garantir a permanência do país como fornecedor competitivo. Segundo o ministro André de Paula, o Brasil adotará todas as providências necessárias para atender às exigências impostas pelo bloco e assegurar o acesso ao mercado europeu.

A União Europeia sustenta que o Brasil ainda precisa apresentar garantias adicionais relacionadas ao controle integral do uso de antimicrobianos na produção pecuária. Além da carne bovina, a restrição pode alcançar ovos, pescado e animais vivos destinados ao consumo.

Apesar do cenário de pressão regulatória, representantes da indústria exportadora e órgãos oficiais avaliam que o país possui estrutura sanitária consolidada e capacidade técnica para atender às novas normas. O trabalho conjunto entre produtores, frigoríficos e governo deverá acelerar a atualização dos protocolos privados de produção, reduzindo impactos econômicos e fortalecendo a competitividade brasileira no comércio internacional. Com informações: Conecte MS




Diário do Interior MS
NAVIRAÍ MS
CNPJ: 30.035.215/0001-09
E-MAIL: diariodointeriorms1@gmail.com
Siga-nos nas redes Sociais: