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Fiocruz vai produzir medicamento de alto custo contra esclerose múltipla para ampliar acesso no SUS


Produção nacional da cladribina oral deve reduzir despesas do sistema público e ampliar tratamento para pacientes com forma agressiva da doença.
Produção nacional da cladribina pela Fiocruz deve ampliar acesso ao tratamento da esclerose múltipla no SUS e reduzir custos para o sistema público de saúde (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil). Por: Editorial | 22/05/2026 07:54

A Fundação Oswaldo Cruz passará a fabricar no Brasil a cladribina oral, medicamento de alto custo utilizado no tratamento da esclerose múltipla e já ofertado pelo Sistema Único de Saúde. A iniciativa representa um avanço estratégico para a ampliação do acesso ao tratamento e para a redução dos custos de aquisição da medicação pelo poder público.

Comercializado internacionalmente sob o nome Mavenclad, o remédio foi incorporado ao SUS em 2023 para atender pacientes diagnosticados com esclerose múltipla remitente-recorrente altamente ativa, quadro caracterizado por surtos frequentes e progressão acelerada da enfermidade, mesmo após terapias convencionais.

Atualmente, o custo médio do tratamento gira em torno de R$ 140 mil por paciente ao longo de cinco anos. A estimativa é de que aproximadamente 3,2 mil brasileiros apresentem a forma mais agressiva da doença, enquanto mais de 30 mil convivem com a versão remitente-recorrente, considerada a manifestação mais comum da enfermidade.

A esclerose múltipla é uma doença crônica, degenerativa e autoimune que compromete o sistema nervoso central, afetando cérebro e medula espinhal. A evolução varia entre os pacientes e pode provocar sequelas severas, como limitações motoras, perda de visão, comprometimento cognitivo e paralisias.

A cladribina oral é considerada uma inovação terapêutica por ser o primeiro tratamento oral de curta duração com efeito prolongado no controle da doença, razão pela qual integra a Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde.

Estudos recentes apresentados durante o Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla apontaram resultados expressivos entre pacientes submetidos ao tratamento, com redução significativa de lesões neuronais em até dois anos. Pesquisas também indicaram melhora funcional relevante, com a maioria dos pacientes mantendo independência motora sem necessidade de apoio adicional.

A produção nacional será viabilizada por meio de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos, unidade da Fiocruz conhecida como Farmanguinhos, a farmacêutica Merck e a indústria química-farmacêutica Nortec.

Segundo a direção de Farmanguinhos, este será o primeiro medicamento produzido pelo instituto voltado especificamente ao tratamento da esclerose múltipla, fortalecendo o compromisso com terapias de alta complexidade e inovação tecnológica aplicada à saúde pública.

A presidência da Fiocruz destacou que a iniciativa integra a estratégia de fortalecimento do Complexo Econômico e Industrial da Saúde, ampliando a autonomia nacional na produção de medicamentos essenciais, reduzindo custos e garantindo sustentabilidade aos programas do SUS.

Além da cladribina, a Fundação mantém outras duas parcerias em andamento com a Merck para produção da betainterferona 1a, também voltada ao tratamento da esclerose múltipla, e de um medicamento pediátrico para esquistossomose. Com informações: Agência Brasil




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