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Sidrônio Moreira encontrou petróleo cru enquanto perfurava o solo em busca de água no interior do Ceará. (Foto: Gabriela Feitosa/g1 Ceará)
Por: Editorial | 23/05/2026 07:15
O agricultor Sidrônio Moreira viveu uma situação inesperada ao tentar perfurar um poço artesiano em sua propriedade rural em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará. Em vez de água, um líquido escuro, viscoso e com forte cheiro de combustível jorrou do solo em novembro de 2024. A confirmação oficial de que a substância era petróleo cru, porém, só ocorreu 18 meses depois.
A descoberta aconteceu após Sidrônio contrair um empréstimo de R$ 15 mil para tentar resolver o problema de abastecimento de água da família, que não contava com água encanada na propriedade.
Inicialmente, a família procurou ajuda do Instituto Federal do Ceará (IFCE), em Tabuleiro do Norte. O material coletado foi encaminhado para análises laboratoriais em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN). Os primeiros testes apontaram características semelhantes às de petróleo encontrado na Bacia Potiguar, região de exploração petrolífera entre Ceará e Rio Grande do Norte.
Somente após essa etapa a família acionou a Agência Nacional do Petróleo (ANP), em julho de 2025. A resposta oficial, no entanto, só veio meses depois, em fevereiro de 2026, após a repercussão nacional do caso.
Técnicos da ANP visitaram a propriedade em março deste ano e recolheram amostras para testes físico-químicos. O resultado definitivo foi divulgado no último dia 20 de maio, confirmando que o líquido encontrado no sítio é petróleo cru.
Apesar da descoberta, o agricultor não terá direito à posse do petróleo. Pela Constituição Federal, os recursos minerais do subsolo pertencem à União. Ainda assim, Sidrônio poderá receber compensação financeira caso a área seja futuramente explorada comercialmente.
A ANP informou que agora inicia uma nova etapa de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade econômica da exploração. O processo pode levar anos e ainda não há garantia de que haverá extração comercial no local.
Especialistas explicam que fatores como quantidade de petróleo, qualidade do óleo, custos operacionais e impactos ambientais influenciam diretamente na decisão sobre explorar ou não a área.
Enquanto aguarda os próximos passos, a família afirma que, até agora, teve apenas despesas relacionadas à descoberta, mas mantém a esperança de que a situação possa trazer retorno financeiro no futuro. Com informações: g1.
