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Mais de meio milhão de brasileiros já solicitaram bloqueio voluntário em plataformas de apostas online (Foto: Freepik)
Por: Editorial | 27/05/2026 07:21
O crescimento das apostas online no Brasil já reflete diretamente no comportamento de milhares de brasileiros. Dados divulgados pelo governo federal apontam que mais de 574 mil pessoas utilizaram a Plataforma Centralizada de Autoexclusão para bloquear o próprio acesso a sites de apostas autorizados no país.
Segundo informações do Ministério da Saúde, cerca de 207 mil usuários relataram perda de controle sobre os jogos ou impactos na saúde mental como principal motivo para aderir ao sistema. O número representa 41% de todos os pedidos registrados desde o lançamento da plataforma, em dezembro de 2025.
Além das questões emocionais e psicológicas, os riscos relacionados ao vazamento de dados pessoais aparecem entre as maiores preocupações dos usuários, correspondendo a 18% das solicitações. Já os problemas financeiros motivaram 12% dos pedidos de bloqueio. Parte dos usuários informou ter aderido ao sistema por decisão preventiva e voluntária.
Desenvolvida pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, a ferramenta permite que o cidadão solicite, de forma unificada, o bloqueio de acesso a todas as plataformas de apostas legalizadas no Brasil. O usuário pode optar por uma suspensão temporária, entre um e 12 meses, ou pelo bloqueio por tempo indeterminado.
Até o momento, a maioria dos cadastrados escolheu impedir o acesso sem prazo para retorno. O sistema também bloqueia novos registros vinculados ao CPF do usuário e interrompe o envio de publicidade direcionada relacionada às apostas esportivas e jogos online.
Além da autoexclusão, a plataforma reúne orientações sobre saúde mental, canais de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e ferramentas de apoio para pessoas afetadas pelo uso excessivo das apostas. Entre os recursos disponíveis estão um questionário de avaliação financeira elaborado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e um autoteste desenvolvido pelo Ministério da Saúde.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa integra uma estratégia nacional de prevenção e redução de danos relacionados ao crescimento das bets no país. Como parte das ações, o governo federal também anunciou investimento de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS.
O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo e deve analisar os impactos das apostas online na rotina e no bem-estar da população brasileira. A previsão é que a pesquisa tenha início ainda em 2026.
Especialistas e autoridades de saúde recomendam que pessoas com sinais de dependência ou dificuldades relacionadas aos jogos procurem atendimento em unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou profissionais especializados. Com informações: Dourados News
