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Campo Grande registra 1,6 milhão de cartões SUS e expõe pressão crescente na saúde pública


Volume de cadastros no sistema de saúde supera em 66% o total de habitantes e reforça impacto de pacientes do interior na rede pública da Capital.
Campo Grande registra cerca de 1,6 milhão de cartões SUS ativos, número superior à população da Capital e que reflete a alta demanda regional por atendimento público de saúde (Foto: Divulgação/Ministério da Saúde) Por: Editorial | 28/05/2026 13:45

Campo Grande enfrenta um desafio cada vez maior na rede pública de saúde. O número de cartões SUS ativos vinculados à Capital chegou a aproximadamente 1,6 milhão, quantidade que supera em 66% a população estimada do município, atualmente em cerca de 962 mil habitantes, conforme dados do IBGE.

A informação foi apresentada pelo superintendente de Atenção Especializada e Urgências da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Yama Albuquerque Higa, durante entrevista concedida nesta quarta-feira (28). Segundo ele, o elevado volume de registros está diretamente ligado ao fluxo constante de pacientes vindos de municípios do interior em busca de atendimento especializado, exames, cirurgias e internações.

Conforme explicou o gestor, o sistema nacional de saúde não duplica cartões quando um paciente recebe atendimento em outra cidade. No entanto, novos registros de atendimento acabam sendo vinculados ao prontuário do usuário em diferentes municípios, ampliando a quantidade de cadastros associados à Capital.

Campo Grande se tornou referência regional em diversas áreas da saúde pública, principalmente devido à ausência de especialistas e estruturas hospitalares em cidades menores de Mato Grosso do Sul. Muitos municípios não possuem unidades capazes de atender demandas mais complexas, o que leva pacientes a buscarem suporte médico na Capital.

O superintendente destacou ainda que pacientes encaminhados oficialmente por meio da regulação estadual geram compensação financeira através da Programação Pactuada e Integrada. Porém, aqueles que procuram atendimento por conta própria acabam aumentando os custos municipais sem ressarcimento posterior.

Além da superlotação nos atendimentos, a situação também impacta diretamente a disponibilidade de leitos hospitalares. Atualmente, Campo Grande conta com cerca de 1,4 mil leitos contratados pelo município, número considerado insuficiente diante da demanda crescente.

A Sesau confirmou que negocia a ampliação da oferta de vagas hospitalares em unidades como o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, Hospital Adventista do Pênfigo, Hospital do Câncer e Hospital São Julião. Os processos seguem em discussão junto ao Ministério Público Estadual.

Nos últimos anos, a pressão sobre o sistema de saúde da Capital tem se intensificado principalmente em períodos de aumento das doenças respiratórias e durante feriados prolongados, quando crescem os casos de acidentes de trânsito e atendimentos de urgência. Com informações: Campo Grande News




Diário do Interior MS
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