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Armazenamento de grãos em unidade agrícola; especialistas apontam que clima e custos de produção devem influenciar o desempenho do agronegócio nos próximos ciclos. (Foto: CNA/Divulgação)
Por: Editorial | 30/05/2026 07:21
A agropecuária brasileira iniciou 2026 com desempenho positivo e foi uma das principais responsáveis pelo crescimento da economia no primeiro trimestre. Segundo dados do IBGE, o setor avançou 2% em relação aos últimos três meses de 2025, impulsionado principalmente pela colheita da soja e pela produção de grãos.
Apesar do resultado favorável, especialistas avaliam que o cenário para os próximos meses é mais desafiador. A possível formação do fenômeno climático El Niño e a elevação dos preços dos fertilizantes podem reduzir a produtividade das lavouras e pressionar a renda dos produtores rurais.
De acordo com o pesquisador da FGV Agro, Felippe Serigati, os efeitos mais significativos do El Niño devem ser sentidos nas safras de 2027. O fenômeno climático costuma provocar períodos de seca em regiões produtoras do Centro-Norte do país e excesso de chuvas no Sul, afetando diferentes culturas agrícolas.
A expectativa é que o El Niño seja oficialmente confirmado entre junho e julho. Caso isso ocorra, poderá haver atrasos no plantio da próxima safra, aumento dos custos com replantio e redução do potencial produtivo em diversas regiões agrícolas.
Entre as áreas mais vulneráveis estão os estados que integram o Matopiba — região formada por Tocantins e partes do Maranhão, Piauí e Bahia — além de Mato Grosso e Pará, importantes produtores de soja, milho, algodão e carne bovina. No Sul do país, o excesso de chuvas pode prejudicar especialmente as lavouras de arroz concentradas no Rio Grande do Sul.
Além dos desafios climáticos, o setor enfrenta a alta dos custos de produção. O aumento dos preços dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, já impacta as compras realizadas pelos produtores para os próximos ciclos agrícolas.
Segundo especialistas, muitos agricultores podem ser obrigados a reduzir a quantidade de fertilizantes utilizados ou optar por produtos menos concentrados, o que pode comprometer a produtividade das lavouras e elevar despesas com transporte, frete e consumo de combustível.
Outro fator que preocupa é o ambiente de juros elevados, que encarece o crédito rural e aumenta o endividamento dos produtores. Com isso, parte dos investimentos em tecnologia e expansão de área pode ser adiada.
Após registrar crescimento de 12% em 2025, considerado um desempenho excepcional para o setor, o agronegócio enfrenta agora um cenário de maior cautela. A combinação entre clima adverso, custos mais altos e preços internacionais pressionados por estoques globais elevados pode reduzir o ritmo de crescimento nos próximos anos. Com informações: g1.
