| Hoje é Quarta-feira, 03 de Junho de 2026.

Imasul e Corpo de Bombeiros ampliam ações de prevenção a incêndios no Pantanal com manejo integrado do fogo


Operações realizadas no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro já ultrapassaram mil hectares manejados para reduzir riscos durante o período de estiagem.
Equipes do Imasul e do Corpo de Bombeiros realizaram ações de manejo integrado do fogo no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro para prevenir incêndios de grandes proporções. (Foto: Capitão Alexandre Araújo/CBMMS) Por: Editorial | 03/06/2026 09:06

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) intensificaram as ações de prevenção a incêndios florestais no Pantanal por meio do Manejo Integrado do Fogo (MIF). As atividades foram realizadas no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro e tiveram como objetivo reduzir a quantidade de material combustível acumulado na vegetação, diminuindo o risco de incêndios de grandes proporções durante a estiagem.

As equipes executaram duas etapas de queima prescrita. Em uma delas, aproveitaram um incêndio já existente na região para ampliar, de forma controlada, a área planejada para o manejo. Somadas, as intervenções ultrapassaram mil hectares dentro da unidade de conservação.

Com mais de 76 mil hectares de extensão, o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro possui um Plano de Manejo Integrado do Fogo e vem recebendo ações preventivas desde 2025. No ano passado, cerca de mil hectares foram manejados nas regiões norte e sul da unidade para reduzir a biomassa e criar áreas de contenção contra futuros incêndios.

A primeira ação de 2026 ocorreu após o registro de um incêndio monitorado pelo Corpo de Bombeiros. O avanço do fogo foi utilizado estrategicamente para eliminar material combustível acumulado, sempre sob acompanhamento técnico. A operação contou com apoio da torre de observação instalada no parque e do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), responsável pelo monitoramento aéreo.

Segundo o gerente da Unidade de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes, o trabalho foi conduzido com base em critérios técnicos e condições ambientais favoráveis.

“O monitoramento permitiu que o fogo tivesse uma propagação controlada, sempre observando as condições climáticas e a disponibilidade de material combustível. As equipes atuaram diretamente para evitar que as chamas ultrapassassem os limites do parque”, explicou.

Entre os dias 11 e 15 de maio, uma nova etapa do manejo foi realizada em aproximadamente 600 hectares da Fazenda Santa Maria, localizada na região leste do parque. A propriedade está situada em uma área considerada estratégica para a prevenção de incêndios devido ao grande acúmulo de vegetação seca durante os períodos mais críticos do ano.

De acordo com o capitão Samuel Pedrozo Borges, da Diretoria de Proteção Ambiental do CBMMS, a ação integrou um planejamento voltado à criação de áreas de proteção.

“Planejamos uma nova queima do centro para o oeste do parque, criando uma espécie de cinturão preventivo para reduzir o excesso de biomassa e minimizar o risco de propagação de incêndios de grandes proporções”, destacou.

As operações foram favorecidas pela frente fria que atingiu Mato Grosso do Sul no início de maio. A redução das temperaturas, aliada ao aumento da umidade do ar e às chuvas registradas na região, contribuiu para a execução segura das atividades.

O diretor-presidente do Imasul, André Borges, ressaltou que o manejo integrado do fogo tem se mostrado uma ferramenta essencial para a preservação do bioma.

“O Pantanal convive naturalmente com o fogo, mas é necessário utilizar técnicas adequadas para reduzir riscos e proteger áreas sensíveis. O manejo integrado permite que o fogo seja utilizado de forma controlada, planejada e segura, protegendo a biodiversidade, os recursos hídricos e as comunidades locais”, afirmou.

A operação reuniu cerca de dez bombeiros militares, sete servidores do Imasul, dois pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e quatro colaboradores de propriedade vizinha ao parque. Os trabalhos se estenderam por cinco dias, incluindo preparação das áreas, aplicação do fogo controlado, rescaldo e monitoramento.

Segundo os responsáveis pela ação, a técnica possibilita queimadas de baixa intensidade, permitindo a fuga de animais silvestres e reduzindo danos à vegetação. A estratégia ganha ainda mais importância diante da previsão de influência do fenômeno El Niño em 2026, que pode favorecer períodos mais secos e elevar o risco de incêndios florestais. Com informações: Imasul.

 

 

 

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