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Trump cita irregularidades trabalhistas na pecuária brasileira, mas mantém carne bovina fora de nova tarifa dos EUA


Relatório do governo norte-americano aponta falhas no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas de diversos países e propõe sobretaxa para produtos importados, embora a carne bovina brasileira permaneça entre os itens isentos.
Carne bovina brasileira ficou fora da lista de produtos que poderão ser atingidos pela nova tarifa proposta pelos Estados Unidos, apesar das críticas apresentadas em relatório sobre a cadeia pecuária nacional. (Foto: Cindie Hansen/Unsplash) Por: Editorial | 03/06/2026 13:43

Uma nova investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos colocou o Brasil no centro de um debate internacional sobre fiscalização trabalhista e competitividade no mercado global de alimentos. O relatório, divulgado pelo governo norte-americano, afirma que diversos países não adotam mecanismos considerados eficazes para impedir a circulação de produtos associados ao trabalho forçado. Apesar das críticas direcionadas à cadeia pecuária brasileira, a carne bovina ficou fora da lista de mercadorias sujeitas à nova tarifa proposta.

A medida prevê uma taxa adicional de 12,5% sobre produtos oriundos de cerca de 60 países, entre eles Brasil, China, Índia, Japão e Reino Unido. Entretanto, uma relação paralela de exceções manteve livres da cobrança itens estratégicos para o comércio bilateral, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, aeronaves e metais específicos.

No documento, as autoridades norte-americanas alegam que existem registros e estudos que apontam ocorrências de trabalho forçado em parte da produção pecuária brasileira. O relatório menciona investigações independentes e listas oficiais utilizadas pelo governo dos Estados Unidos para monitorar cadeias produtivas associadas a violações trabalhistas.

Outro ponto destacado é a chamada "lavagem de gado", prática em que animais oriundos de propriedades com irregularidades seriam transferidos para fazendas regularizadas antes da comercialização. Segundo o governo norte-americano, essa dinâmica dificulta a rastreabilidade da produção e o monitoramento de eventuais infrações.

Os Estados Unidos também argumentam que a expansão da participação brasileira no mercado internacional de carne bovina ocorreu paralelamente à redução da presença norte-americana em importantes destinos de exportação, especialmente na China. Dados apresentados no relatório indicam crescimento expressivo das vendas brasileiras ao longo da última década, acompanhado por preços mais competitivos em relação ao produto norte-americano.

Representantes do setor agropecuário brasileiro, por sua vez, contestam a associação entre competitividade e supostas irregularidades trabalhistas. Especialistas destacam que o avanço da pecuária nacional está relacionado principalmente a investimentos em tecnologia, melhoramento genético, aumento da produtividade e modernização dos sistemas de produção.

Mesmo com as críticas, a decisão de excluir a carne bovina da lista de produtos tarifados foi interpretada pelo mercado como um reconhecimento da importância estratégica do Brasil no abastecimento internacional. Atualmente, o país figura entre os principais fornecedores de carne bovina para diferentes mercados globais, incluindo os próprios Estados Unidos.

A proposta ainda deverá passar por etapas de análise antes de uma eventual implementação definitiva. Caso seja confirmada, as novas tarifas poderão afetar diversos setores exportadores, mas o comércio de carne bovina brasileira permanecerá preservado das sobretaxas anunciadas até o momento. Com informações: g1

 

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