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A cada mil nascimentos no Brasil, cinco foram de crianças vítimas de estupro em 2024


Levantamento do Ministério da Saúde aponta mais de 12 mil nascimentos de mães com até 14 anos em 2024. Especialistas e entidades acompanham os desdobramentos da decisão do Senado que suspendeu norma do Conanda sobre atendimento às vítimas.
Manifestação em defesa dos direitos de crianças e adolescentes durante debate sobre acesso ao aborto previsto em lei no Brasil (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil) Por: Editorial | 03/06/2026 14:06

Dados oficiais do Ministério da Saúde revelam um cenário preocupante sobre a violência sexual infantil no Brasil. Em 2024, foram registrados 12.004 nascimentos de bebês gerados por meninas de até 14 anos de idade, o equivalente a cinco casos para cada mil nascimentos registrados no país durante o período.

Pela legislação brasileira, qualquer relação sexual envolvendo crianças e adolescentes com até 14 anos é classificada como estupro de vulnerável, independentemente da existência de consentimento. Nesses casos, a gravidez resultante da violência sexual está entre as situações em que a interrupção da gestação é autorizada pela legislação nacional.

O tema voltou ao centro do debate após a aprovação, pelo Senado Federal, de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que suspende os efeitos de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A norma, publicada em dezembro de 2024, estabelecia diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e orientava procedimentos relacionados ao acesso ao aborto previsto em lei.

A resolução não criava novos direitos, mas detalhava protocolos de acolhimento e atendimento para garantir a aplicação das normas já existentes. Com a suspensão, especialistas avaliam que poderão surgir dificuldades adicionais para o acesso aos serviços previstos na legislação.

Outro levantamento do Ministério da Saúde mostra que, em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 9.140 notificações de estupro contra meninas que resultaram em gravidez. Desse total, aproximadamente 20% tiveram acesso ao aborto legal, enquanto a maioria das vítimas manteve a gestação.

Os números da violência sexual contra crianças e adolescentes também apresentaram crescimento recente. Dados do Atlas da Violência indicam aumento das notificações em todas as faixas etárias analisadas entre 2023 e 2024. Entre crianças de 5 a 14 anos, os registros passaram de 26.125 para 29.135 ocorrências, consolidando esse grupo como o mais afetado.

Especialistas destacam a importância do fortalecimento das políticas públicas de proteção à infância, da ampliação dos canais de denúncia e da garantia de atendimento especializado para vítimas de violência sexual. Organizações da área de direitos humanos também defendem medidas que assegurem acolhimento adequado e acesso aos serviços previstos pela legislação brasileira. Com informações: Agência Brasil




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