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Planalto aposta em negociação e tenta barrar tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros


Governo avalia cenários distintos para sobretaxas anunciadas por Washington e vê maior margem de diálogo em medida específica ao Brasil.
Governo brasileiro avalia estratégias para negociar sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. (Foto: André Violatti/Ato Press/Estadão Conteúdo) Por: Editorial | 06/06/2026 07:20

O governo federal trabalha com estratégias diferentes para lidar com as duas propostas de sobretaxa anunciadas pelos Estados Unidos nesta semana sobre produtos brasileiros. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que há espaço para negociação em um dos casos, enquanto o outro é considerado de difícil reversão.

A medida mais sensível para o Brasil envolve uma tarifa de 25% aplicada exclusivamente ao país, resultado de investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Nesse cenário, integrantes do governo enxergam maior possibilidade de diálogo por se tratar de uma ação direcionada, o que abre caminho para tratativas bilaterais entre os dois países.

Por outro lado, o governo considera menos provável uma mudança na tarifa de 12,5%, que incide sobre 59 países e a União Europeia. Por atingir um grupo amplo de economias, a reversão isolada da medida em favor do Brasil é vista como mais complexa do ponto de vista diplomático e comercial.

As propostas fazem parte de um conjunto de ações comerciais anunciadas pelo governo norte-americano após investigações que apontam supostas práticas consideradas desleais no comércio internacional. Entre os pontos citados estão questões tarifárias, políticas ambientais, combate à corrupção e regras relacionadas ao mercado de etanol, além de menções ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.

Diante do cenário, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a prioridade será concentrar esforços na negociação das tarifas, buscando evitar a aplicação da sobretaxa de 25% ou, ao menos, adiar sua implementação até que haja um acordo definitivo entre as partes.

As tratativas devem continuar nas próximas semanas por meio de canais diplomáticos e técnicos. Está prevista uma videoconferência entre representantes dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável pelas negociações comerciais americanas.

O prazo inicial estabelecido para discussão das medidas se encerra neste fim de semana, mas as conversas devem seguir até meados de julho, quando está prevista a possível entrada em vigor das tarifas caso não haja entendimento entre os dois países.

Apesar das tensões comerciais, integrantes do governo brasileiro avaliam que a relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos segue preservada, com expectativa de continuidade do diálogo em diferentes níveis institucionais. Com informações: Estadão Conteúdo

 

 

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