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Exames demonstram a evolução clínica de paciente submetido à terapia CAR-T Cell, com evidências de remissão do câncer após o tratamento experimental desenvolvido por pesquisadores brasileiros. (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Por: Editorial | 10/06/2026 08:21
Uma inovação desenvolvida no Brasil está renovando as expectativas no combate ao câncer. Resultados preliminares de um estudo clínico conduzido pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, indicam que a terapia CAR-T Cell nacional alcançou redução significativa ou desaparecimento dos tumores em aproximadamente 87,5% dos pacientes com linfoma não Hodgkin submetidos ao tratamento.
A técnica utiliza células de defesa do próprio paciente, que são coletadas e modificadas geneticamente em laboratório para reconhecer e combater as células cancerígenas de forma mais eficiente. Após o processo, essas células são reinfundidas no organismo para atuar diretamente contra a doença.
Segundo os pesquisadores, os resultados observados até o momento superaram as expectativas iniciais. O estudo clínico busca avaliar não apenas a eficácia da terapia, mas também sua segurança e possíveis efeitos adversos. Até agora, 75 participantes foram incluídos na pesquisa, sendo que 25 já receberam a infusão das células modificadas.
Especialistas envolvidos no projeto destacam que a terapia representa uma das abordagens mais avançadas atualmente disponíveis para o tratamento de determinados tipos de câncer hematológico. Além dos casos de linfoma, novas pesquisas já estão sendo planejadas para avaliar a aplicação da tecnologia em doenças autoimunes, como lúpus e miastenia gravis.
O Ministério da Saúde informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanhará o desenvolvimento da pesquisa por meio de um programa voltado à avaliação de tecnologias inovadoras consideradas estratégicas para a saúde pública. A medida pode acelerar os processos regulatórios necessários para a futura disponibilização do tratamento.
Atualmente, terapias semelhantes são oferecidas em alguns países e possuem custos que podem ultrapassar centenas de milhares de dólares por paciente. A expectativa dos pesquisadores é que, após a conclusão das etapas clínicas e regulatórias, a tecnologia possa ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso da população a tratamentos de alta complexidade.
A pesquisa prevê o recrutamento de pelo menos 100 participantes e a criação de uma rede de hospitais públicos capacitados para aplicar a terapia em diferentes regiões do país. Instituições de referência em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto já participam do projeto, que é considerado um dos mais importantes avanços da medicina brasileira nos últimos anos.
Entre os casos que reforçam o potencial da terapia está o de pacientes que alcançaram remissão completa da doença após esgotarem outras alternativas de tratamento. Os resultados seguem sendo monitorados pelos pesquisadores, que avaliam a duração das respostas e os benefícios a longo prazo. Com informações: g1
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