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Celular com aplicativos de apostas esportivas evidencia a popularização das bets no Brasil. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
Por: Editorial | 11/06/2026 07:47
A busca por atendimento em saúde mental relacionada às apostas online já é uma realidade em Campo Grande, embora ainda apareça de forma subnotificada nas estatísticas. No CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Aero Rancho, pacientes chegam com frequência relatando quadros de depressão, ansiedade e crises emocionais que, após avaliação, estão ligados ao uso compulsivo de plataformas de apostas.
Segundo o psiquiatra Fernando de Freitas Monteiro, diretor técnico da unidade, pelo menos um paciente por mês procura o serviço com questões relacionadas ao vício em jogos, embora esse número possa ser maior na prática. Isso ocorre porque, muitas vezes, o problema não é inicialmente reconhecido pelos próprios pacientes.
Na maioria dos casos, as pessoas não chegam relatando o vício em apostas, mas sim consequências como dívidas, sofrimento emocional, conflitos familiares e sensação de perda de controle da própria vida. O comportamento relacionado ao jogo costuma surgir apenas durante o atendimento clínico.
O psiquiatra explica que o transtorno do jogo ainda é cercado por estigmas, o que dificulta a busca por ajuda. Em muitos casos, o problema é interpretado como falha de caráter ou falta de disciplina, o que leva os pacientes a esconderem a situação.
O cenário se agrava com a crescente exposição às plataformas de apostas esportivas, conhecidas como “bets”, amplamente divulgadas em redes sociais, transmissões esportivas e patrocínios.
Embora nem todos os apostadores desenvolvam dependência, estudos apontam que uma parcela significativa da população já teve contato com esse tipo de jogo, incluindo adolescentes. Entre os fatores de risco estão impulsividade, isolamento social, momentos de crise financeira e eventos de vida marcantes, como desemprego ou separações.
De acordo com o especialista, o transtorno do jogo não afeta apenas a vida financeira, mas também a saúde mental, os relacionamentos e a rotina dos pacientes. O ciclo de apostas e perdas tende a se repetir, agravando o quadro de endividamento e sofrimento psicológico.
O tratamento está disponível gratuitamente pelo SUS e é realizado nos CAPS, com foco em psicoterapia, acompanhamento multiprofissional e, em alguns casos, uso de medicamentos para quadros associados, como depressão e ansiedade. O objetivo principal é interromper o ciclo das apostas e reorganizar a vida do paciente.
A recomendação dos profissionais é buscar ajuda ao primeiro sinal de perda de controle, como aumento de gastos com apostas, preocupação constante com jogos e alertas de familiares ou amigos. Com informações: Agencia Brasil.
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