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Levantamento da Aprosoja/MS aponta que a inflação reduziu o poder de compra dos recursos anunciados para o Plano Safra 2026/2027. (Foto: Divulgação/Aprosoja/MS)
Por: Editorial | 02/07/2026 14:11
Embora o Governo Federal tenha anunciado R$ 525 bilhões para o Plano Safra 2026/2027, a Aprosoja/MS avalia que o aumento dos recursos não representa um ganho real na capacidade de financiamento dos produtores rurais. Segundo levantamento da entidade, a inflação acumulada no período superou o crescimento nominal do programa, reduzindo o poder de compra do crédito disponível.
De acordo com a análise econômica da associação, o volume de recursos cresceu 1,7% em relação ao ciclo anterior, enquanto a inflação acumulada foi de aproximadamente 4,72%. Na prática, isso representa uma perda real estimada em 2,9% na capacidade de financiamento do setor agropecuário.
Outro ponto destacado pela Aprosoja/MS é a mudança na distribuição dos recursos. O crédito destinado ao custeio e à comercialização, utilizado para despesas como aquisição de sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis e demais custos da produção, apresentou redução de 7,2%, equivalente a R$ 29,8 bilhões.
Em contrapartida, os recursos voltados para investimentos cresceram 38,1%, priorizando projetos de armazenagem, irrigação, geração de energia renovável, inovação tecnológica e modernização das propriedades rurais.
Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o Plano Safra continua sendo uma importante ferramenta de apoio ao agronegócio, porém a efetividade do programa dependerá da disponibilidade dos recursos ao longo do ciclo produtivo. Segundo ele, além dos valores anunciados, é fundamental que o crédito esteja acessível no momento em que os produtores precisarem financiar a safra.
A entidade também ressalta que o aumento das linhas de investimento não substitui a necessidade de recursos destinados ao custeio, considerados essenciais para garantir o plantio e a condução da produção agrícola.
Outro aspecto apontado pela Aprosoja/MS é a redução da participação dos recursos subsidiados pelo Tesouro Nacional. Apesar da queda das taxas de juros em boa parte das linhas de crédito, apenas 24,8% dos recursos destinados aos investimentos contarão com equalização do governo federal. O restante dependerá das condições oferecidas pelas instituições financeiras, fator que poderá influenciar a oferta de crédito durante a safra.
Para os médios produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o Plano Safra prevê aumento de 5,1% no volume de recursos e redução da taxa máxima de juros de 10% para 9% ao ano.
Na avaliação da entidade, além do volume anunciado, será fundamental acompanhar a velocidade de liberação dos recursos, a disponibilidade de crédito nas instituições financeiras e as condições efetivas de contratação ao longo da safra 2026/2027. Com informações: Campo Grande News
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