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Mato Grosso do Sul concentra maior parte das apreensões de canetas emagrecedoras contrabandeadas no Brasil


Estado responde por cerca de 60% das apreensões nacionais, enquanto cresce a preocupação das autoridades com o comércio ilegal e os riscos à saúde.
Canetas emagrecedoras apreendidas durante operação de fiscalização em Mato Grosso do Sul, estado que concentra a maior parte das apreensões no país. (Foto: Arquivo) Por: Editorial | 06/07/2026 07:27

O avanço do contrabando de canetas emagrecedoras no Brasil colocou Mato Grosso do Sul no centro das ações de fiscalização. O estado passou a concentrar aproximadamente 60% das apreensões desses medicamentos no país, consolidando-se como uma das principais portas de entrada de produtos irregulares que abastecem o mercado clandestino.

Levantamento da Polícia Federal aponta um crescimento expressivo nas apreensões nos últimos anos. Em 2024, foram registradas nove ocorrências. Já em 2025, esse número saltou para 335 casos. Entre janeiro e maio de 2026, foram contabilizadas 758 apreensões, totalizando cerca de 175 mil unidades retiradas de circulação, um aumento de aproximadamente vinte vezes em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Segundo as investigações, os produtos entram no Brasil principalmente pela fronteira com o Paraguai, utilizando rotas que passam por Mato Grosso do Sul e Paraná antes de seguirem para grandes centros consumidores, como São Paulo e Rio de Janeiro. Para dificultar a fiscalização, os criminosos utilizam diferentes estratégias, entre elas o fracionamento das cargas, a ocultação dos medicamentos em veículos e o transporte por diversos passageiros.

Em uma das operações mais recentes, as forças de segurança apreenderam cerca de sete mil ampolas de tirzepatida de origem paraguaia escondidas entre celulares e notebooks. A carga foi avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões.

Paralelamente ao crescimento do comércio ilegal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também registrou aumento nas notificações de efeitos adversos relacionados ao uso desses medicamentos. Os registros passaram de 257 casos em 2023 para 449 em 2024 e chegaram a 1.122 notificações em 2025.

Apesar da alta nos números, a Anvisa esclarece que não é possível afirmar que os efeitos estejam diretamente relacionados aos produtos contrabandeados, uma vez que as notificações incluem medicamentos de diferentes origens, sem identificação precisa da procedência.

Especialistas alertam que um dos maiores riscos está no uso sem orientação médica. Além da possibilidade de produtos falsificados ou armazenados de forma inadequada, a utilização desses medicamentos sem acompanhamento profissional pode aumentar as chances de complicações e comprometer a segurança do tratamento.

A Anvisa reforça que medicamentos dessa categoria somente devem ser utilizados com prescrição médica e retenção da receita. O órgão também intensificou as medidas para combater a importação irregular de insumos e produtos ligados ao GLP-1, ampliando a fiscalização sobre o mercado clandestino. Com informações: Campo Grande News

 

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