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Psicanálise explica por que o brasileiro nunca deixa de acreditar na Seleção


Especialista afirma que a paixão pelo futebol vai além do esporte e ajuda a explicar por que derrotas não acabam com a esperança do torcedor.
Torcedores brasileiros acompanharam a partida da Seleção e viveram mais um ciclo de expectativa e frustração durante a Copa do Mundo. (Foto: AP/Bruna Prado) Por: Editorial | 07/07/2026 07:09

A eliminação da Seleção Brasileira em mais uma Copa do Mundo reacendeu um comportamento conhecido entre os torcedores: a frustração imediata seguida pela esperança de que, no próximo torneio, tudo será diferente. Para a psicanálise, esse ciclo está diretamente ligado à forma como o futebol faz parte da identidade coletiva do país.

Segundo o psicanalista Christian Dunker, professor da Universidade de São Paulo (USP), a relação do brasileiro com a Seleção ultrapassa o campo esportivo. As Copas do Mundo são vividas como capítulos da própria história nacional, criando um forte vínculo emocional entre torcedores e equipe.

Na avaliação do especialista, o ato de torcer representa mais do que acompanhar uma partida. Trata-se da expressão do desejo, da expectativa e da capacidade de acreditar em resultados improváveis, mesmo após sucessivas decepções. Essa esperança renovada explica por que milhões de brasileiros continuam apoiando a Seleção a cada novo ciclo mundial.

Dunker também destaca que a intensidade da frustração está diretamente relacionada ao tamanho da expectativa criada em torno da Copa do Mundo. Para ele, a eliminação provoca um sentimento semelhante ao luto, mas esse processo também permite aprendizado e ressignificação da derrota ao longo do tempo.

Outro aspecto apontado pelo psicanalista é a tendência de parte da torcida em buscar culpados após resultados negativos. Segundo ele, quando um erro decisivo é atribuído a um único jogador, cria-se uma memória coletiva que pode marcar a carreira do atleta por muitos anos.

O especialista ainda faz uma distinção entre a paixão saudável pelo futebol e comportamentos prejudiciais. Para ele, o esporte funciona como uma forma de catarse emocional, desde que não ultrapasse os limites do respeito e não resulte em episódios de violência, discriminação ou intolerância.

Ao comentar o crescimento das apostas esportivas, Dunker observa que elas exploram a mesma esperança no improvável presente na torcida, mas acrescentam a ilusão de que o apostador pode influenciar o resultado, o que torna a experiência diferente da simples paixão pelo futebol.

Para a psicanálise, portanto, o torcedor brasileiro continua acreditando porque o desejo não desaparece com a derrota. Pelo contrário, é justamente a falta da conquista que mantém viva a expectativa por um novo título. Com informações: g1

 

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