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Estudo identifica microplásticos no sangue de pacientes com infarto, mas não comprova relação direta


Pesquisa publicada em revista científica encontrou maior concentração de partículas plásticas em pessoas que sofreram infarto agudo do miocárdio, porém especialistas ressaltam que ainda não há evidências de causa e efeito.
Pesquisa identificou micro e nanoplásticos no sangue de pacientes com infarto, mas cientistas afirmam que ainda não há comprovação de que as partículas sejam a causa da doença. (Foto: Magnific) Por: Editorial | 16/07/2026 08:55

Um estudo publicado na revista científica European Heart Journal trouxe novos dados sobre a presença de micro e nanoplásticos no organismo humano. A pesquisa identificou partículas plásticas no sangue de pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio, indicando uma associação entre esses materiais e a doença cardiovascular. Apesar dos resultados, os pesquisadores enfatizam que ainda não é possível afirmar que os microplásticos sejam responsáveis pelo desenvolvimento do infarto.

O levantamento avaliou 61 pacientes submetidos a exames para investigação de doenças nas artérias coronárias. Os participantes foram divididos em três grupos: 19 pessoas que sofreram infarto agudo do miocárdio, 20 pacientes com doença arterial coronariana crônica e 22 indivíduos com artérias consideradas normais.

Para a realização da pesquisa, os cientistas coletaram amostras de sangue diretamente das artérias do coração e também da circulação periférica. Em seguida, utilizaram técnicas laboratoriais de alta precisão para identificar a presença de micro e nanoplásticos, além de analisar marcadores inflamatórios e fatores relacionados à exposição ambiental.

Os resultados mostraram que partículas plásticas foram encontradas em 84,2% dos pacientes que haviam sofrido infarto. Entre aqueles com doença arterial coronariana crônica, o índice foi de 40%. Já no grupo com artérias consideradas normais, a presença das partículas foi identificada em 31,8% dos participantes.

Outro dado observado pelos pesquisadores foi que os pacientes com infarto apresentavam não apenas uma quantidade maior de microplásticos, mas também uma diversidade mais elevada de polímeros. O polietileno, material amplamente utilizado na fabricação de embalagens e produtos plásticos, foi identificado em 97% das amostras consideradas positivas.

O estudo também verificou que pessoas com infarto apresentavam níveis mais elevados de marcadores inflamatórios, como a interleucina-6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), substâncias relacionadas aos processos inflamatórios do organismo.

Durante a análise dos fatores de risco, os pesquisadores identificaram que o tabagismo foi a única variável que permaneceu associada de forma independente à presença de micro e nanoplásticos no sangue após os ajustes estatísticos. Segundo o estudo, fumantes apresentaram aproximadamente 5,7 vezes mais chances de apresentar essas partículas na circulação.

Apesar da associação observada, os autores destacam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Por se tratar de um estudo observacional e com um número reduzido de participantes, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre a presença dos microplásticos e a ocorrência do infarto.

Os pesquisadores ressaltam que diversos fatores podem influenciar os resultados, como hábitos de vida, exposição à poluição atmosférica e outras condições de saúde. Dessa forma, novas pesquisas, com um número maior de participantes e acompanhamento por períodos mais longos, serão necessárias para esclarecer se essas partículas exercem algum papel direto no desenvolvimento das doenças cardiovasculares.

Nos últimos anos, os microplásticos passaram a ser alvo de diversos estudos científicos devido à ampla presença dessas partículas no meio ambiente e à possibilidade de serem encontradas em alimentos, água, ar e até mesmo em tecidos e órgãos humanos. No entanto, especialistas reforçam que ainda há muitas dúvidas sobre os efeitos dessas partículas na saúde e que as evidências disponíveis continuam sendo objeto de investigação. Com informações: Metropoles.

 

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