| Hoje é Terça-feira, 21 de Julho de 2026.

Maior oferta da terceira safra pressiona preços do feijão carioca no mercado


Enquanto o carioca registra queda nas principais regiões produtoras, feijão preto segue valorizado diante da menor disponibilidade nacional.
Maior oferta da terceira safra aumenta a disponibilidade de feijão carioca e pressiona as cotações no campo. (Foto: Divulgação) Por: Editorial | 21/07/2026 08:12

A chegada de novos volumes da terceira safra de feijão tem aumentado a oferta de feijão carioca e pressionado os preços pagos aos produtores em diferentes regiões do país. A análise consta no Indicador de Preços Cepea/CNA, referente ao período de 9 a 16 de julho.

Segundo o levantamento, o avanço da colheita ampliou a disponibilidade de lotes de melhor qualidade e reduziu o interesse dos compradores, que aguardam a entrada de novas cargas no mercado. Ao mesmo tempo, as margens ainda consideradas favoráveis estimularam produtores a comercializar parte dos estoques disponíveis, contribuindo para a redução das cotações.

No período analisado, todas as regiões acompanhadas registraram desvalorização do feijão carioca de melhor padrão. Os recuos mais expressivos foram observados no Centro-Noroeste de Goiás e no Noroeste de Minas Gerais, próximos de 10%. Já no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a queda chegou a 6,38%.

A expectativa é de que o avanço da colheita continue exercendo pressão sobre os preços nas próximas semanas. Apesar disso, lotes com qualidade superior ainda podem alcançar valores diferenciados em mercados onde a disponibilidade desse tipo de produto seja menor.

Para os grãos classificados como notas 8,0 e 8,5, a queda registrada no produto de qualidade mais elevada também afetou a competitividade dos lotes intermediários. Com isso, os preços apresentaram pressão negativa na maior parte das regiões pesquisadas.

Uma das exceções foi Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde houve alta de 0,95%. O movimento foi atribuído à procura da indústria por lotes classificados como nota 8,5.

Na metade sul do Paraná, por outro lado, os preços recuaram 11,02%, em um cenário marcado pela redução do número de compradores e por dúvidas relacionadas à qualidade dos grãos. Em Sorriso, no Mato Grosso, a cotação caiu 0,82%, mesmo com oferta limitada, acompanhando o movimento observado em outras regiões.

No mercado de feijão preto, o cenário é diferente. A menor oferta nacional e o encerramento da segunda safra no Paraná mantiveram os preços sustentados durante o período analisado.

Até 13 de julho, a colheita da segunda safra paranaense havia alcançado 99% da área cultivada. Com a redução da disponibilidade, produtores passaram a reter os lotes de melhor qualidade, contribuindo para a sustentação das cotações.

Entre as regiões monitoradas, o Oeste Catarinense registrou alta de 3,39%, enquanto a metade sul do Paraná apresentou valorização de 0,78%. Em Curitiba, entretanto, os preços recuaram 1,65%, influenciados pela demanda moderada e pela existência de estoques ainda disponíveis.

Dados divulgados no relatório de julho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam a perspectiva de menor oferta de feijão preto. A estimativa de produção para a safra 2025/26 foi revisada para baixo em 7,3% na comparação com o levantamento anterior.

A produção nacional de feijão preto está estimada em 469,5 mil toneladas na temporada. O volume representa uma redução de 42,1% em relação à safra anterior, resultado associado à diminuição da área plantada e às perdas provocadas por eventos climáticos no Paraná.

Diante desse cenário, a expectativa é de que o mercado de feijão preto continue sustentado nas próximas semanas, enquanto o feijão carioca deve permanecer sob pressão com o avanço da colheita e a entrada de novos volumes da terceira safra. Com informações: CNABrasil

 

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