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Operação desarticula esquema de roubo e revenda ilegal de medicamentos contra o câncer em quatro estados


Investigação aponta participação de empresas de fachada e apoio territorial de uma facção criminosa; operação cumpre mandados no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará.
Polícia Civil realizou operação contra organização suspeita de roubar e redistribuir medicamentos de alto custo em diferentes estados. (Foto: Reprodução/TV Globo) Por: Editorial | 21/07/2026 09:27

Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta terça-feira (21) mira uma organização criminosa suspeita de atuar no roubo e na comercialização ilegal de medicamentos utilizados no tratamento contra o câncer e de imunossupressores. A ação, batizada de Operação Metástase, ocorre simultaneamente em quatro estados e investiga um esquema que, segundo as autoridades, teria movimentado mais de R$ 33 milhões em um período de um ano.

De acordo com as investigações, o grupo criminoso teria participação de diferentes núcleos, responsáveis por etapas que iam desde o roubo das cargas até a distribuição dos produtos. Os medicamentos seriam desviados e posteriormente reinseridos no mercado por meio de empresas de fachada criadas para ocultar a origem ilícita das mercadorias.

A operação mobilizou equipes para cumprir cinco mandados de prisão preventiva e 97 ordens de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. Até a última atualização, cinco pessoas haviam sido presas.

Entre os investigados estão Fernanda Rodrigues França, apontada como integrante do grupo responsável pela receptação, Stefano Montovani Fernandes, indicado como possível chefe do esquema, e Umberto Xavier de Lima, citado como suspeito de atuar na receptação. Segundo as informações divulgadas, os três negam as acusações.

A investigação conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital aponta que a organização teria ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP), facção que, conforme a polícia, forneceria suporte territorial e proteção aos envolvidos nos roubos. As cargas seriam levadas para áreas do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, onde ocorreriam etapas como armazenamento, divisão e redistribuição dos medicamentos.

Segundo a polícia, o grupo teria envolvimento em pelo menos 40 ocorrências semelhantes nos seis meses anteriores ao início da operação. A apuração também identificou a existência de aproximadamente 25 empresas de fachada nos estados investigados, que seriam utilizadas para movimentar recursos e facilitar a circulação dos produtos.

Os investigadores afirmam ainda que integrantes da organização buscavam informações privilegiadas sobre rotas e carregamentos, inclusive por meio do aliciamento de funcionários de empresas de transporte. Após os roubos, os medicamentos seriam encaminhados a diferentes regiões do país utilizando transportadoras, entregadores e pessoas usadas para ocultar a identidade dos verdadeiros envolvidos.

A polícia suspeita que parte dos produtos tenha chegado a hospitais particulares e até mesmo a instituições públicas por meio de mecanismos de comercialização que dificultariam a identificação da procedência. A estratégia, segundo as autoridades, seria oferecer os medicamentos por valores inferiores aos praticados regularmente, facilitando a entrada dos produtos de origem criminosa na cadeia formal de distribuição.

Durante o cumprimento dos mandados em Santo André, na região metropolitana de São Paulo, os agentes localizaram medicamentos utilizados no tratamento contra o câncer dentro de um veículo de luxo. O automóvel foi apreendido durante a ação.

Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou medidas para tentar bloquear até R$ 30 milhões em recursos financeiros atribuídos ao grupo. Também foram determinadas ações para localizar e apreender imóveis, veículos e outros bens que possam ter sido adquiridos ou utilizados para ocultar patrimônio.

No Rio de Janeiro, a operação provocou impactos na rotina de moradores do Complexo da Maré. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, duas unidades de atenção primária tiveram o atendimento suspenso inicialmente, enquanto outras duas mantiveram o funcionamento, mas interromperam temporariamente as visitas domiciliares.

Para a Polícia Civil, o esquema representa uma ameaça que ultrapassa os prejuízos financeiros provocados pelos roubos. Os medicamentos destinados ao tratamento oncológico e ao controle de doenças autoimunes e outras condições de saúde dependem de condições específicas de armazenamento e transporte. O manuseio inadequado pode comprometer a qualidade e a segurança dos produtos.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer a extensão da organização e verificar o destino dos medicamentos desviados. A apuração também busca dimensionar os impactos provocados pelo esquema no abastecimento de unidades de saúde e na assistência aos pacientes que dependem desses tratamentos. Com informações: g1.

 

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