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Porto de Santos, um dos principais pontos de movimentação de cargas do Brasil; nova tarifa dos Estados Unidos afeta parte dos produtos brasileiros exportados ao país (Foto: Reuters)
Por: Editorial | 22/07/2026 09:33
Uma tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026. A medida deverá elevar os custos de entrada de mercadorias brasileiras no mercado norte-americano e pode afetar a competitividade de empresas de diferentes setores.
A nova cobrança foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump após uma investigação comercial conduzida pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR. O órgão apontou supostas práticas brasileiras que, na avaliação do governo norte-americano, poderiam restringir ou aumentar os custos do comércio bilateral.
Entre os assuntos citados pelos Estados Unidos estão o sistema de pagamentos Pix, a regulamentação de plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países, questões relacionadas ao desmatamento ilegal, o acesso ao mercado brasileiro de etanol, proteção da propriedade intelectual e medidas de combate à corrupção.
O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que parte das questões utilizadas para embasar a medida envolve assuntos internos e temas considerados inegociáveis pelo país.
A tarifa adicional alcança aproximadamente 3 mil produtos brasileiros. A cobrança será feita aos importadores norte-americanos no momento em que as mercadorias entrarem nos Estados Unidos, o que pode aumentar o preço final dos produtos e influenciar as decisões de compra de empresas daquele país.
Apesar da abrangência da medida, uma lista com mais de 2 mil produtos ficou de fora da nova tarifa. Entre os principais itens brasileiros exportados aos Estados Unidos que não serão atingidos estão petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio.
Por outro lado, setores como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e determinados produtos de alumínio estão entre os segmentos que poderão sofrer os efeitos da sobretaxa.
De acordo com dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a medida deverá atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, considerando como referência os números de 2024. Esse volume corresponde a aproximadamente US$ 7,4 bilhões, ou cerca de R$ 37,6 bilhões.
Considerando os dados de 2025, a parcela afetada seria menor, representando aproximadamente 15% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, equivalente a US$ 5,8 bilhões, cerca de R$ 29,4 bilhões. O governo também informa que 57% dos produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos continuarão sem a nova tarifa.
No setor agropecuário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima que a medida poderá afetar cerca de R$ 4,6 bilhões por ano em exportações, valor correspondente a aproximadamente 36,5% das vendas brasileiras do setor destinadas aos Estados Unidos.
A avaliação do governo brasileiro é que os efeitos da medida não deverão comprometer a economia nacional como um todo, embora determinados setores possam enfrentar dificuldades específicas. Especialistas também apontam que a quantidade de produtos excluídos da sobretaxa pode limitar o impacto geral sobre as exportações brasileiras.
Diante da decisão norte-americana, o governo brasileiro avalia diferentes caminhos para responder à medida. Entre as possibilidades estão a continuidade das negociações diplomáticas, a busca por acordos comerciais e a eventual utilização da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em 2025.
A legislação permite que o Brasil adote medidas de resposta contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros. Até o momento, porém, o governo não anunciou uma retaliação concreta com base na lei.
A estratégia discutida pelo governo inclui a tentativa de manter o diálogo com autoridades norte-americanas e buscar soluções específicas para os setores afetados. Representantes do setor produtivo também defendem que a negociação diplomática seja priorizada para evitar uma escalada das tensões comerciais entre os dois países.
Além das negociações, o governo federal prepara medidas para reduzir os efeitos econômicos da sobretaxa sobre as empresas brasileiras. Entre as ações em avaliação estão novas linhas de crédito para empresas atingidas e iniciativas de apoio condicionadas à preservação de empregos.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos também prepara um programa voltado à diversificação dos mercados consumidores dos produtos brasileiros. A iniciativa deverá buscar novas oportunidades comerciais para empresas afetadas pelas tarifas e ampliar a presença do Brasil em outros mercados internacionais.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de uma nova sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação sobre a fiscalização de produtos associados ao trabalho forçado. Caso essa cobrança seja aplicada de forma acumulada à tarifa de 25%, determinados produtos brasileiros poderiam enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.
A possível nova medida ainda dependia de confirmação por parte do governo dos Estados Unidos. A definição deverá ocorrer após a conclusão dos procedimentos relacionados à investigação comercial.
Com a entrada em vigor da tarifa adicional de 25%, empresas brasileiras dos setores atingidos passam a enfrentar um novo cenário nas relações comerciais com os Estados Unidos. O governo brasileiro deverá continuar avaliando os impactos da medida e as alternativas para proteger os setores afetados, enquanto busca preservar o diálogo e evitar o agravamento das relações comerciais entre os dois países. Com informações: g1
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