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Crédito rural encolhe 21% em Mato Grosso do Sul e acende alerta para nova safra


Estado movimentou R$ 14,64 bilhões no Plano Safra 2025/26, enquanto entidades avaliam que o cenário financeiro ficou mais seletivo e desafiador para produtores.
Crédito rural mais restrito pode influenciar decisões de custeio e investimento dos produtores de Mato Grosso do Sul. (Foto: Divulgação/Aprosoja MS) Por: Editorial | 23/07/2026 16:01

O acesso ao financiamento rural terminou a safra 2025/26 em ritmo de retração em Mato Grosso do Sul. Dados divulgados pela Aprosoja/MS apontam que os produtores do Estado contrataram R$ 14,64 bilhões em crédito durante o ciclo, uma redução de 21,3% em comparação com a temporada anterior. O resultado reforça a percepção de um mercado financeiro mais cauteloso, marcado por maior rigor na liberação de recursos e condições menos favoráveis para parte do setor produtivo.

Somente em junho, último mês do Plano Safra 2025/26, foram contratados R$ 943,8 milhões. O valor representa uma diminuição de 22,3% diante de maio e queda de 40,1% na comparação com junho de 2025, indicando uma desaceleração significativa na procura e na concessão de financiamentos ao final do período.

A redução atingiu praticamente as principais modalidades de crédito rural. Os recursos destinados ao custeio, utilizados principalmente para financiar despesas da produção, recuaram 22,5%, passando de R$ 12,4 bilhões para R$ 9,62 bilhões. As linhas para investimentos somaram R$ 3,61 bilhões, queda de 13,8%. Já o financiamento para comercialização registrou a maior retração proporcional, de 59,6%, com R$ 622,9 milhões contratados.

Na contramão desse movimento, as operações voltadas à industrialização cresceram 68,7%, alcançando R$ 782,5 milhões. Mesmo com a queda geral, o custeio continuou sendo a principal finalidade dos financiamentos, concentrando 65,7% dos recursos contratados no Estado durante a safra. Do total, 62% foram destinados à agricultura e 38% à pecuária.

No último mês do ciclo, o custeio respondeu por R$ 624,6 milhões, equivalente a 66% do crédito contratado em junho. A agricultura movimentou R$ 488,7 milhões, enquanto a pecuária registrou R$ 455,1 milhões, com ambos os segmentos apresentando resultados inferiores aos observados no mesmo mês do ano anterior.

Entre os programas oficiais, o Pronamp foi o principal instrumento de financiamento para produtores de médio porte, com R$ 2,88 bilhões contratados ao longo da safra. O Pronaf, voltado à agricultura familiar, movimentou R$ 625,7 milhões.

Os bancos públicos permaneceram na liderança como fontes de recursos, respondendo por 59,6% do crédito rural concedido em Mato Grosso do Sul. As cooperativas de crédito participaram com 20% das operações e ampliaram sua importância como alternativa de financiamento para produtores do Estado.

O cenário de retração também foi observado em âmbito nacional. O Brasil encerrou o Plano Safra 2025/26 com R$ 345,6 bilhões em crédito rural contratado, resultado 9,9% menor que o registrado no ciclo anterior. Mato Grosso do Sul respondeu por aproximadamente 4,2% do volume financiado em todo o país.

Com o início do Plano Safra 2026/27, em julho, o Governo Federal anunciou R$ 622,4 bilhões para o financiamento da atividade agropecuária, valor nominal 1,7% superior ao do ciclo anterior. Também foram anunciadas reduções nas taxas de juros de diferentes linhas, incluindo modalidades destinadas ao Pronamp, ao custeio empresarial e aos programas de investimento.

Na avaliação econômica da Aprosoja/MS, porém, o aumento nominal dos recursos não representa necessariamente uma ampliação real da oferta de crédito. A entidade considera que a inflação acumulada no período reduz o poder de compra dos valores disponibilizados. Outro ponto de atenção é a participação crescente de recursos livres, cuja definição de juros acompanha as condições do mercado financeiro e pode resultar em custos maiores para os tomadores.

Para a entidade, a evolução do crédito rural em Mato Grosso do Sul durante a safra 2026/27 dependerá de fatores como a oferta de recursos subsidiados, a capacidade do Governo Federal de equalizar as taxas de juros e a situação financeira dos produtores. A combinação desses elementos deverá influenciar diretamente o ritmo de novos financiamentos e a capacidade de investimento do setor agropecuário sul-mato-grossense ao longo do novo ciclo. Com informações: Aprosoja MS

 

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