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Relatório aponta falhas graves antes de queda da Voepass que matou 62 pessoas


Investigação do Cenipa identificou problemas na aeronave, falhas operacionais da tripulação e deficiências na fiscalização antes do acidente em Vinhedo.
Relatório final do Cenipa apontou uma sequência de falhas relacionadas à aeronave, à operação da companhia e à fiscalização antes do acidente em Vinhedo. (Foto: Reprodução) Por: Editorial | 24/07/2026 10:18

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do voo 2283 da Voepass apontou uma série de falhas que contribuíram para o acidente ocorrido em Vinhedo, no interior de São Paulo. A tragédia provocou a morte de 62 pessoas e, segundo a investigação, envolveu problemas relacionados à companhia aérea, à tripulação e ao processo de fiscalização.

Entre as principais conclusões apresentadas pelos investigadores está a avaliação de que a aeronave não deveria ter realizado o voo nas condições em que se encontrava. O ATR 72-500 tinha registros de dez itens com falhas antes da decolagem, incluindo um problema no sistema de limpadores de para-brisa, considerado necessário para operações sob determinadas condições meteorológicas.

Mesmo diante dessas condições, o avião foi autorizado a seguir viagem. Após a decolagem, a aeronave permaneceu por vários minutos em uma região com formação intensa de gelo, cenário que exigia a adoção dos procedimentos previstos para esse tipo de situação.

A análise das gravações das caixas-pretas indicou que os pilotos receberam alertas relacionados à formação de gelo, mas demoraram a executar as ações recomendadas. Segundo o Cenipa, também houve falhas na utilização do sistema destinado à proteção contra o acúmulo de gelo nas asas.

Os investigadores apontaram ainda que problemas semelhantes já haviam sido identificados em voos realizados pela mesma aeronave no dia anterior ao acidente. No entanto, essas ocorrências não teriam sido devidamente registradas pelas tripulações, o que impediu que a equipe de manutenção fosse acionada antes da realização do voo seguinte.

O relatório também chamou atenção para uma prática interna que, segundo o Cenipa, favorecia a comunicação informal de falhas técnicas. Essa dinâmica teria contribuído para uma chamada “cultura de normalização de desvios”, na qual determinados problemas deixavam de ser formalmente registrados, reduzindo a capacidade de controle e prevenção da empresa.

A investigação identificou ainda situações envolvendo a reutilização de componentes provenientes de aeronaves com problemas e atividades de manutenção realizadas sem a supervisão considerada adequada de profissionais habilitados.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também foi citada no relatório. Conforme o Cenipa, fiscalizações anteriores já haviam apontado problemas relacionados à manutenção, ao controle de peças e aos procedimentos operacionais da companhia. Apesar disso, as irregularidades não teriam resultado em medidas suficientes para interromper ou restringir as operações.

Em manifestação, a Anac informou que irá analisar as recomendações apresentadas pelo Cenipa e deverá responder às medidas propostas dentro do prazo estabelecido.

A investigação técnica do acidente foi concluída pelo Cenipa, mas as apurações sobre possíveis responsabilidades criminais continuam sob responsabilidade da Polícia Federal. O inquérito deverá avaliar eventuais condutas que possam ter contribuído para a tragédia e, posteriormente, ser encaminhado ao Ministério Público Federal.

A Voepass declarou que colaborou com as investigações e afirmou que sua frota operava de acordo com os padrões internacionais de aeronavegabilidade. A empresa também informou que fará uma análise detalhada do documento antes de apresentar novos comentários sobre as conclusões do relatório. Com informações: Bacci Noticia.

 

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