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Após enchentes destruírem 80% da área urbana, cidade do RS proíbe novas construções em regiões de risco


Muçum decidiu retirar famílias de áreas mais vulneráveis e transformar região atingida pelas cheias em parque ecológico como estratégia para reduzir futuros prejuízos.
Muçum, no Rio Grande do Sul, teve cerca de 80% da área urbana atingida por uma das maiores enchentes da história do Estado e proibiu novas construções na região mais afetada (Foto: Reprodução/Jornal Nacional) Por: Editorial | 30/07/2026 10:23

Depois de enfrentar uma sequência de enchentes que provocou uma das maiores destruições de sua história, o município de Muçum, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, decidiu mudar a forma de ocupação das áreas mais vulneráveis. A cidade proibiu novas construções na região mais afetada pelas cheias e passou a investir na retirada de moradores das áreas consideradas de risco.

Entre setembro e novembro de 2023 e maio de 2024, o município foi atingido por três grandes enchentes em um período de apenas oito meses. A mais grave ocorreu em 2024, durante a maior tragédia climática já registrada no Rio Grande do Sul.

Na ocasião, aproximadamente 80% da área urbana de Muçum ficou coberta pela água. Cerca de 350 construções foram condenadas e o cemitério municipal, que abrigava aproximadamente 3 mil jazigos, também foi destruído. O Rio Taquari chegou a subir 26 metros, nível sem registro anterior, provocando ainda a destruição de uma rodovia.

Diante da dimensão dos estragos, a administração municipal decidiu impedir a reconstrução de imóveis na área mais atingida. A região deverá ser transformada em um parque ecológico de aproximadamente 200 mil metros quadrados, com áreas permeáveis e espaços destinados ao lazer.

A proposta é reduzir os impactos de futuras enchentes, consideradas possíveis pelos especialistas diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. As construções localizadas na área de maior risco já foram demolidas, com exceção de um prédio de quatro andares que ainda deverá ser removido.

Enquanto isso, famílias que viviam na região aguardam a construção de novas moradias em locais mais afastados do Rio Taquari. Alguns moradores já foram transferidos para condomínios construídos em áreas consideradas mais seguras.

Além das residências, empresas também receberam incentivos para deixar as regiões vulneráveis e se instalar em outros pontos do município. A iniciativa busca estimular uma ocupação urbana mais segura e evitar que novos empreendimentos sejam construídos em locais sujeitos a inundações.

A experiência de Muçum também passou a ser discutida por outros municípios do Vale do Taquari. Pelo menos seis cidades da região avaliam adotar medidas semelhantes para impedir a reconstrução de áreas devastadas pelas enchentes.

Prevenção ainda é desafio no Brasil

Apesar da iniciativa adotada pelo município gaúcho, a prevenção de desastres ainda representa um desafio em grande parte do país. Dados apresentados em relatório do Tribunal de Contas da União apontam que, nos últimos 15 anos, o Brasil destinou mais recursos para ações de resposta e recuperação após desastres do que para medidas preventivas.

Entre 2012 e 2026, foram destinados R$ 34,36 bilhões para ações de resposta e recuperação, enquanto R$ 9,62 bilhões foram aplicados em prevenção.

Especialistas defendem que, diante do aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos, cidades e governos precisam adotar medidas de adaptação e planejamento de longo prazo. A retirada de populações de áreas vulneráveis é apontada como uma das estratégias para reduzir perdas humanas e materiais.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que mais de 10 milhões de brasileiros vivem atualmente em áreas consideradas de risco.

Em outras regiões do país, como Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o desafio é ainda maior. O município registra um histórico de mortes provocadas por enchentes e deslizamentos e ainda possui uma parcela significativa da população vivendo em áreas vulneráveis.

Para especialistas, a realidade reforça a necessidade de preparar as cidades para um cenário de eventos extremos mais frequentes e intensos, com investimentos em prevenção, planejamento urbano e políticas de adaptação às mudanças climáticas. Com informações: Jornal Nacional

 

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