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Estudo investigou a relação entre a exposição ao açúcar nos primeiros mil dias de vida e a saúde cerebral décadas depois (Foto: Reprodução/Canva)
Por: Editorial | 30/07/2026 14:12
Uma pesquisa publicada na revista científica npj Aging sugere que uma menor exposição ao açúcar durante os primeiros anos de vida pode estar associada a um risco reduzido de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência na velhice. O estudo analisou dados de mais de 60 mil pessoas e investigou possíveis relações entre a alimentação no início da vida e a saúde cerebral ao longo do envelhecimento.
Para realizar a pesquisa, os cientistas aproveitaram um período histórico de racionamento de açúcar no Reino Unido, adotado durante a Segunda Guerra Mundial e mantido nos anos seguintes. Na época, mulheres grávidas tinham acesso limitado ao produto, enquanto crianças com menos de dois anos não recebiam uma cota individual.
A política de racionamento foi encerrada em setembro de 1953 e, posteriormente, o consumo de açúcar aumentou de forma significativa entre a população. Os pesquisadores utilizaram esse contexto para comparar os efeitos da menor exposição ao açúcar em diferentes fases do início da vida.
Foram analisados registros de saúde de 60.394 pessoas nascidas entre 1951 e 1956 e cadastradas no UK Biobank. Os participantes foram divididos conforme o período em que estiveram expostos às restrições de consumo, considerando a gestação, os primeiros anos de vida ou nenhum desses momentos.
Os resultados indicaram que pessoas que tiveram menor exposição ao açúcar durante os primeiros mil dias após a concepção apresentaram risco 27% menor de desenvolver demência por qualquer causa. Para a doença de Alzheimer, a associação observada apontou uma redução de 46% no risco.
O estudo também identificou uma menor ocorrência de alguns outros problemas de saúde mental entre os participantes expostos ao período de restrição. O risco de ansiedade foi 20% menor, enquanto o de depressão apresentou redução de 11%. Para a doença de Parkinson, não foram observadas diferenças relevantes entre os grupos analisados.
Além dos registros médicos, os pesquisadores avaliaram exames de ressonância magnética de mais de 9 mil participantes. As imagens indicaram diferenças relacionadas à estrutura cerebral, incluindo um cérebro considerado, em média, cerca de 0,39 ano mais jovem do que o esperado para a idade entre aqueles que vivenciaram o período de restrição. Também foram observadas diferenças no volume de regiões associadas à memória, como o hipocampo e o tálamo.
Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores destacam que o trabalho identificou uma associação e não comprova que a menor ingestão de açúcar seja diretamente responsável pela redução do risco de Alzheimer ou demência.
Segundo os autores, são necessários novos estudos para confirmar a relação em populações atuais e avaliar outros fatores relacionados à alimentação e às condições de vida durante a infância. O contexto histórico específico do racionamento no Reino Unido também deve ser considerado na interpretação dos resultados.
A pesquisa reforça a importância de investigar como fatores presentes nos primeiros períodos da vida podem influenciar a saúde cerebral décadas mais tarde. No entanto, os resultados ainda não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito entre o consumo de açúcar na infância e o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. Com informações: Metrópoles
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