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Novas marcas de semaglutida foram autorizadas pela Anvisa, mas ainda dependem da definição de preços para chegar ao mercado (Foto: Reprodução/Freepik)
Por: Editorial | 30/07/2026 15:23
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de cinco novas marcas de medicamentos à base de semaglutida no Brasil. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), amplia a concorrência no mercado de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, utilizados no tratamento de condições como obesidade e diabetes, conforme as indicações aprovadas.
Os novos produtos são Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; Orsema, da Ranbaxy; Seemasun, da Sun Farmacêutica; e Owozy, da Ávita Care.
Apesar da aprovação dos registros, os medicamentos ainda não devem chegar imediatamente às farmácias. Antes da comercialização, é necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabeleça os preços máximos permitidos para os produtos.
O valor definido pela CMED funciona como um teto para a comercialização. As empresas podem praticar preços abaixo desse limite, o que significa que os valores cobrados pelos diferentes fabricantes poderão variar conforme a estratégia de cada marca.
A expectativa é de que a chegada de novos concorrentes aumente a disputa no mercado e exerça pressão sobre os preços. O movimento ocorre poucos meses após o fim da patente da semaglutida no país, período que abriu espaço para a entrada de novos fabricantes.
O mercado de medicamentos da classe GLP-1 tem apresentado forte crescimento no Brasil. Dados citados na reportagem apontam que o segmento movimentou R$ 11,45 bilhões em 2025. Entre janeiro e abril de 2026, as vendas já alcançaram R$ 5,54 bilhões.
Com a ampliação da oferta, especialistas avaliam que os preços podem se tornar mais competitivos. Ainda assim, os valores definitivos das novas marcas dependem da análise e da decisão da CMED.
A semaglutida também está no centro de uma discussão sobre a possibilidade de fornecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) analisou a inclusão do medicamento, mas a proposta não avançou principalmente em razão do impacto financeiro estimado.
Agora, uma nova avaliação está prevista para setembro. A análise considera uma proposta apresentada pela fabricante Novo Nordisk, com redução de 59% em relação ao preço anteriormente apresentado.
Os valores informados na nova proposta são de R$ 396,88 para doses entre 0,25 mg e 1 mg, R$ 594,49 para a dose de 1,7 mg e R$ 764,64 para a dose de 2,4 mg.
Caso a substância seja incorporada ao SUS, a decisão não estará vinculada a uma marca específica. Na prática, o Ministério da Saúde poderá adquirir o medicamento de fabricantes habilitados, conforme as regras estabelecidas para a compra pública.
Paralelamente, o Ministério da Saúde conduz um projeto-piloto com semaglutida no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. A iniciativa prevê o acompanhamento de aproximadamente 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças e que possuem indicação para cirurgia bariátrica.
Os pacientes deverão ser acompanhados até o próximo ano, e os resultados poderão contribuir para a elaboração de um protocolo sobre o uso da medicação na rede pública.
Segundo o Ministério da Saúde, a análise inicial sobre a possível incorporação da semaglutida está prevista para setembro. A avaliação final deverá seguir os prazos previstos nos procedimentos da Conitec.
Médicos e pesquisadores defendem que uma eventual ampliação do acesso aos medicamentos para obesidade seja acompanhada de uma política pública estruturada. A avaliação envolve não apenas o custo dos medicamentos, mas também os impactos financeiros de doenças associadas à obesidade e a necessidade de acompanhamento médico adequado.
Especialistas também ressaltam que o tratamento da obesidade não deve ser reduzido ao uso de medicamentos. Para eles, uma política pública abrangente precisa envolver equipes multidisciplinares, acompanhamento contínuo e estratégias de prevenção e tratamento adaptadas às necessidades dos pacientes.
A decisão sobre a inclusão da semaglutida no SUS ainda depende da análise da Conitec e das questões relacionadas ao impacto orçamentário. Enquanto isso, a chegada de novas marcas ao mercado deve ampliar as opções disponíveis e pode aumentar a concorrência entre fabricantes. Com informações: g1
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