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Equipes trabalham para restabelecer o fornecimento de energia após o vendaval que atingiu a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e provocou quedas de árvores, danos à rede elétrica e interrupção no abastecimento de milhares de consumidores. Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil
Por: Editorial | 31/07/2026 08:34
O forte vendaval que atingiu a Região Metropolitana do Rio de Janeiro na quarta-feira (29) provocou uma série de transtornos e deixou, no início da quinta-feira (30), cerca de 279 mil consumidores da Light ainda sem energia elétrica. No momento mais crítico, aproximadamente 1,1 milhão de clientes ficaram sem fornecimento, entre residências, comércios e outros estabelecimentos.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acompanha a situação. Segundo a Light, os danos causados pela tempestade exigem, em diversos pontos, a reconstrução de trechos da rede elétrica, incluindo substituição de postes, reparos em estruturas comprometidas e retirada de árvores que caíram sobre a fiação.
Para acelerar o restabelecimento do serviço, a concessionária informou que mobilizou 800 equipes, reunindo mais de 2 mil profissionais em campo.
As rajadas de vento ultrapassaram os 100 km/h, alcançando 105,5 km/h no Aeroporto Internacional do Galeão, o maior registro do evento. A força do vendaval derrubou 346 árvores em diferentes regiões da capital fluminense.
Até a noite de quinta-feira, a Prefeitura do Rio de Janeiro seguia trabalhando na remoção de dezenas de árvores que permaneciam obstruindo vias e áreas públicas.
Os efeitos da tempestade também comprometeram o transporte público. O ramal Japeri continuava com a circulação interrompida, enquanto a estação Saracuruna passava por vistorias para reabertura. Os ramais Santa Cruz, Deodoro e Belford Roxo operavam normalmente.
No sistema de VLT, as linhas voltaram a funcionar após a retirada de mais de uma tonelada de resíduos dos trilhos, incluindo galhos, árvores e outros materiais carregados pelo vento.
Já os serviços de BRT, ônibus urbanos, metrô e barcas operavam com intervalos regulares.
Durante o temporal, um muro desabou em Santa Teresa, causando a morte de dois homens. A Polícia Civil também apura se a morte de três pessoas por descarga elétrica, registrada em uma residência na Cidade de Deus, possui relação com os efeitos da tempestade.
Na Costa Verde, Angra dos Reis registrou rajadas de até 104 km/h. Houve queda de árvores, inclusive em trechos da BR-101 (Rio-Santos), além do naufrágio de um táxi marítimo na Baía da Ilha Grande.
Cinco pessoas receberam atendimento médico, mas todas foram liberadas, sem registro de mortes no município.
Especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) avaliam que eventos climáticos extremos reforçam a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura elétrica.

O professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ, destaca que a ampliação da fiação subterrânea e a manutenção preventiva da vegetação próxima às redes podem reduzir significativamente os impactos de temporais, embora essas medidas exijam investimentos elevados.
Já o professor Leandro Torres, da Escola Politécnica da UFRJ, ressalta que, além da infraestrutura, concessionárias e instituições precisam manter planos de contingência atualizados para responder rapidamente a eventos extremos, com equipes treinadas, protocolos definidos e estratégias eficientes de comunicação com a população.
Enquanto o fornecimento não é totalmente restabelecido, milhares de moradores continuam enfrentando prejuízos, como perda de alimentos, interrupção do trabalho remoto e falta de previsão para a normalização dos serviços.
