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Gasolina com maior mistura de etanol começa a chegar aos postos brasileiros. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Por: Editorial | 31/07/2026 14:16
A gasolina comercializada no Brasil passa a ter, a partir deste sábado (1º de agosto), 32% de etanol anidro em sua composição. A mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), eleva em dois pontos percentuais a mistura, que anteriormente era de 30%, e terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.
A medida ocorre em meio à preocupação com os custos dos combustíveis fósseis e à busca por ampliar o uso de fontes renováveis produzidas no país. Segundo o governo, a alteração também pode contribuir para reduzir a necessidade de importação de gasolina.
Apesar disso, especialistas alertam que alguns veículos, principalmente modelos mais antigos e automóveis que não são flex, podem exigir atenção redobrada. Entre os possíveis efeitos estão aumento do consumo, desgaste de componentes e problemas no sistema de alimentação de combustível.
Os veículos flex são considerados preparados para trabalhar com diferentes concentrações de etanol e, segundo especialistas, não devem enfrentar dificuldades relevantes com a nova mistura.
A maior preocupação está relacionada a carros antigos, especialmente aqueles equipados com carburadores ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, além de alguns veículos importados desenvolvidos para funcionar exclusivamente com gasolina e concentrações menores de etanol.
O etanol possui características diferentes da gasolina e também tem maior capacidade de absorver umidade. Em determinadas condições, a presença de água pode favorecer processos de corrosão em componentes metálicos e afetar peças do sistema de alimentação.
Entre os componentes que entram em contato com o combustível estão o tanque, a bomba de combustível, a boia, as linhas de alimentação, os bicos injetores, as vedações e outros elementos do sistema.
Segundo especialistas, possíveis problemas podem incluir dificuldade de partida, marcha lenta irregular, perda de desempenho, falhas durante a aceleração, aumento do consumo e acendimento da luz de injeção eletrônica.
Para veículos que não são flex, a recomendação é manter a manutenção preventiva em dia e observar qualquer alteração no funcionamento do motor após o início da nova mistura.
A orientação é verificar regularmente mangueiras, vedações, conexões e componentes do sistema de combustível, principalmente em veículos mais antigos.
Filtros de combustível também merecem atenção. Dependendo do modelo, pode ser necessário utilizar componentes compatíveis com concentrações maiores de etanol. No entanto, a substituição deve seguir as especificações do fabricante.
Especialistas também alertam que não é recomendável instalar filtros excessivamente restritivos ou adicionar componentes ao sistema sem orientação técnica, pois isso pode reduzir a vazão de combustível e sobrecarregar a bomba.
Os aditivos podem ter aplicações específicas, mas não transformam um veículo incompatível em um automóvel preparado para funcionar com concentrações maiores de etanol.
Estabilizadores podem ser úteis em veículos que permanecem muito tempo parados, enquanto alguns produtos possuem propriedades que ajudam a reduzir a corrosão ou limpar depósitos no sistema de combustível.
A recomendação, porém, é consultar um profissional e utilizar somente produtos compatíveis com o veículo.
A troca das velas de ignição, por si só, não elimina possíveis problemas relacionados ao aumento da concentração de etanol.
Em alguns casos, velas de platina ou irídio podem oferecer maior durabilidade e estabilidade de ignição, mas somente devem ser utilizadas quando forem homologadas para o motor específico.
A instalação de uma vela com especificação inadequada pode provocar falhas, superaquecimento ou outros problemas no funcionamento do motor.
O motorista deve ficar atento a mudanças no comportamento do veículo. Entre os principais sinais estão:
Em veículos antigos, também é importante observar sinais de corrosão, mangueiras endurecidas ou rachadas e alterações no filtro de combustível.
Caso esses sintomas apareçam, a recomendação é procurar uma oficina especializada ou um mecânico de confiança para avaliar o sistema.
Em veículos mais antigos ou incompatíveis com a nova concentração de etanol, eventuais problemas podem aumentar os custos de manutenção.
Entre os componentes que podem apresentar desgaste estão bombas de combustível, bicos injetores, mangueiras, vedações, sensores e outros elementos do sistema de alimentação.
O custo do reparo varia bastante conforme o modelo e a peça afetada. Em veículos importados e de maior valor, a substituição de determinados componentes pode representar uma despesa significativa.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou ser favorável ao uso de biocombustíveis e reconheceu a importância do etanol para a redução das emissões da frota brasileira.
A entidade, porém, defendeu que mudanças na composição da gasolina sejam precedidas por testes rigorosos, com o objetivo de garantir a compatibilidade dos motores e dos componentes dos veículos.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) defende o aumento da mistura e afirma que a medida pode fortalecer a segurança energética brasileira, reduzir a dependência de gasolina importada e ampliar o uso de um combustível renovável produzido no país.
Segundo a entidade, estudos realizados com veículos leves e motocicletas indicaram que a mistura com 32% de etanol é tecnicamente viável.
A Unica também afirma que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional de etanol anidro e que a nova política poderá contribuir para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.
Para a maioria dos veículos modernos, especialmente os modelos flex, a mudança não deve exigir alterações na rotina de uso.
Já os proprietários de carros antigos ou não flex devem acompanhar o comportamento do veículo e manter a manutenção preventiva em dia. Não é necessário realizar modificações por conta própria, mas qualquer sinal de dificuldade de partida, falha, aumento expressivo de consumo ou alteração no funcionamento deve ser investigado.
A principal recomendação é seguir as especificações do fabricante e procurar assistência especializada antes de realizar alterações no sistema de combustível ou instalar peças e aditivos.
A adoção da gasolina com 32% de etanol representa mais uma mudança na composição dos combustíveis comercializados no país. Enquanto o governo e o setor de biocombustíveis destacam os benefícios econômicos e ambientais da medida, representantes da indústria automotiva defendem acompanhamento técnico e atenção aos veículos mais antigos.Com informações: g1
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