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Hoje é Domingo, 02 de Agosto de 2026.
O sorgo está ganhando espaço nas lavouras de Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação
Por: Editorial | 02/08/2026 09:41
O cenário da segunda safra em Mato Grosso do Sul está mudando. E uma cultura que durante muito tempo teve participação menor começa a ganhar cada vez mais espaço nas lavouras do Estado: o sorgo.
A expansão acontece principalmente em áreas que antes eram destinadas ao milho safrinha. Com menor custo de implantação, menor exigência de fertilidade do solo e maior tolerância a períodos de estiagem, o cereal passou a chamar a atenção dos produtores que buscam mais segurança para enfrentar as condições climáticas.
A mudança também está ligada à transformação do próprio mercado agrícola. O milho, que já chegou a representar cerca de 75% das áreas cultivadas na segunda safra, hoje ocupa aproximadamente 45% desse espaço, abrindo novas oportunidades para outras culturas.
É nesse cenário que o sorgo aparece como uma alternativa estratégica.
Segundo especialistas do setor produtivo, a cultura exige menos disponibilidade de água e apresenta boa adaptação em solos de menor fertilidade. Na prática, essas características podem ajudar o produtor a controlar os custos e reduzir parte dos riscos associados ao clima.
Mas existe outro fator importante nessa história: o mercado consumidor.
Além da alimentação animal, o sorgo passou a encontrar espaço nas usinas flexíveis de etanol instaladas em Mato Grosso do Sul. Essas unidades conseguem trabalhar com diferentes matérias-primas, permitindo ampliar o período de funcionamento e reduzir a dependência exclusiva do milho.
E essa mudança cria uma conexão importante entre campo e indústria.
Para o produtor rural, ter mais de uma alternativa de comercialização pode representar maior flexibilidade no planejamento da safra. Para as usinas, o sorgo ajuda a ampliar as possibilidades de abastecimento e fortalecer a produção de biocombustíveis.
Avaliações técnicas da Aprosoja e da Famasul indicam que o preço do sorgo costuma ficar entre 75% e 85% do valor da saca de milho. Mesmo com produtividade potencialmente menor em condições favoráveis, o cereal pode compensar parte dessa diferença pelo menor investimento necessário.
O resultado é uma transformação que vai além da troca de uma cultura por outra.
O avanço do sorgo mostra como o produtor sul-mato-grossense está ampliando suas estratégias para lidar com clima, custos e mercado. Em vez de substituir completamente o milho, a tendência é que as duas culturas ocupem espaços complementares dentro do planejamento agrícola.
No fim, a expansão do sorgo revela uma mudança importante no campo: quanto mais alternativas o produtor tiver, maior será sua capacidade de adaptar a produção aos desafios de cada safra.
E, em Mato Grosso do Sul, o sorgo começa a provar que veio para ocupar um espaço cada vez mais relevante na agricultura e na cadeia da bioenergia.
