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Canetas contra a obesidade ainda não chegam ao SUS, mas cenário pode mudar


Queda de preços, fim de patentes e novos estudos podem abrir caminho para a inclusão de medicamentos no tratamento da obesidade na rede pública.
Medicamentos injetáveis à base de semaglutida estão entre as opções avaliadas para um possível tratamento da obesidade no sistema público (Foto: Freepik) Por: Editorial | 04/08/2026 08:16

O avanço dos medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade trouxe novas perspectivas para pacientes e profissionais de saúde, mas esses produtos ainda não fazem parte da oferta regular do Sistema Único de Saúde (SUS). O principal obstáculo para uma eventual incorporação é o custo elevado das terapias e o impacto que uma distribuição ampla poderia provocar no orçamento público.

A preocupação ganha relevância diante do crescimento da obesidade no Brasil. Dados do levantamento Vigitel, do Ministério da Saúde, apontam que a proporção de adultos com obesidade aumentou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Apesar da dimensão do problema, o SUS ainda dispõe de poucas alternativas específicas para o tratamento da doença, enquanto pacientes que necessitam de cirurgia bariátrica podem enfrentar longos períodos de espera.

Medicamentos à base de semaglutida e liraglutida já foram analisados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). No entanto, pedidos avaliados anteriormente foram rejeitados devido ao elevado impacto financeiro estimado para os cofres públicos, calculado em mais de R$ 8 bilhões.

O cenário começou a apresentar novas possibilidades após a expiração de patentes relacionadas à semaglutida e à liraglutida. A entrada de novos fabricantes no mercado brasileiro tende a ampliar a concorrência e pode contribuir para a redução dos preços. O Ministério da Saúde também solicitou prioridade à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na análise de registros de medicamentos que utilizam esses princípios ativos.

Em junho, a pasta iniciou um projeto piloto em um hospital de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A iniciativa, denominada Real Bari, acompanha 250 pessoas com obesidade grave que aguardam cirurgia bariátrica e passaram a receber tratamento com semaglutida. A proposta é avaliar a efetividade da terapia, os custos envolvidos e a possibilidade de adaptação desse tipo de tratamento à realidade do sistema público.

Enquanto isso, uma nova proposta de incorporação da semaglutida foi apresentada à Conitec com uma redução no valor de referência e critérios mais específicos para o público beneficiado. A sugestão prevê inicialmente o atendimento de pacientes com mais de 45 anos, obesidade grave, sem diagnóstico de diabetes e com histórico de doença cardiovascular. A comissão ainda deverá analisar a proposta e pode alterar os critérios de acesso.

Especialistas avaliam que, caso algum medicamento seja incorporado ao SUS, a distribuição inicialmente deverá ser direcionada a grupos considerados prioritários, especialmente pacientes com maior risco de complicações. Dessa forma, a eventual oferta pública não significaria necessariamente que todas as pessoas com obesidade teriam acesso imediato ao tratamento.

Os profissionais também destacam que o combate à obesidade não depende exclusivamente de medicamentos. Por ser uma condição crônica, o tratamento deve envolver acompanhamento médico e multiprofissional, orientação nutricional, atividade física adequada e controle de doenças associadas.

Com a redução dos preços, o surgimento de novas opções no mercado e os resultados dos estudos em andamento, o Brasil pode se aproximar de uma decisão sobre a inclusão de medicamentos contra a obesidade no SUS. O desafio, no entanto, será estabelecer uma política que consiga conciliar os benefícios clínicos dessas terapias com a capacidade financeira e operacional da rede pública. Com informações: g1

 

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