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Produtor Alexandre Lemke Belz acompanha o cultivo de gengibre em propriedade rural de Santa Leopoldina, no Espírito Santo. (Foto: Divulgação)
Por: Editorial | 04/08/2026 11:19
Uma pesquisa iniciada há mais de uma década por um produtor rural do Espírito Santo acaba de alcançar um marco inédito para a agricultura brasileira. O agricultor Alexandre Lemke Belz desenvolveu a cultivar de gengibre Imigrante, reconhecida como a primeira variedade da raiz registrada no país, com produtividade que pode superar o dobro da média estadual.
A nova cultivar foi desenvolvida em Santa Leopoldina, na região serrana do Espírito Santo, estado que se destaca nacionalmente pela produção e exportação de gengibre. Em sistema de manejo orgânico, a variedade chegou a alcançar rendimento de até 145 toneladas por hectare, enquanto a média estadual gira em torno de 60 toneladas.
O nome Imigrante faz referência às famílias que contribuíram para a formação e o desenvolvimento da região serrana capixaba. A expectativa é que as mudas certificadas da variedade comecem a ser comercializadas em julho, por meio do primeiro viveiro de mudas certificadas de gengibre, instalado no Sítio Hort Belz.
A trajetória de desenvolvimento da cultivar começou com a observação do próprio produtor, que buscava identificar plantas com maior capacidade produtiva e mais resistência a problemas que afetam as lavouras, como nematoides e doenças. Antes de se dedicar ao melhoramento do gengibre, Alexandre já havia realizado experiências de seleção em outras atividades agrícolas.
A pesquisa ganhou respaldo científico em 2021, quando o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) passou a atuar em parceria com o produtor. O trabalho envolveu avaliações de campo e estudos necessários para o registro da cultivar junto ao Ministério da Agricultura, incluindo análises relacionadas à produtividade, às características do rizoma e à resistência a doenças.
A bióloga e pesquisadora do Ifes, Ana Paula Candido Gabriel Berilli, destacou a importância da união entre o conhecimento adquirido pelo agricultor ao longo dos anos e a pesquisa científica. Segundo ela, o trabalho permitiu validar práticas desenvolvidas na propriedade e avançar no estudo genético do gengibre produzido na região.
O projeto contou com investimento aproximado de R$ 500 mil e também possibilitou o registro de outras três variedades desenvolvidas pelo produtor: Alexandrino, Manzuc e Belz. As cultivares apresentam características próprias relacionadas à produtividade, à estrutura do rizoma, ao DNA e ao porte das plantas.
Com o viveiro já regularizado no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), a produção de mudas certificadas representa uma nova etapa do projeto. A previsão é produzir cerca de 10 mil caixas neste ano, cada uma contendo entre 180 e 200 mudas. O produtor também afirma já ter recebido manifestações de interesse de agricultores de outros países.
Além do potencial produtivo, a certificação das mudas busca contribuir para a redução da disseminação de doenças nas plantações. Tradicionalmente, muitos produtores utilizam material próprio para formar novas lavouras, prática que pode favorecer a transmissão de problemas fitossanitários entre plantas e áreas de cultivo.
De acordo com a pesquisadora do Ifes, os agricultores que adquirirem mudas certificadas também terão acesso a orientações técnicas específicas sobre a cultivar, incluindo informações relacionadas ao espaçamento entre plantas, adubação, irrigação e períodos adequados para o plantio e a colheita.
A pesquisa também identificou diferenças nas formas de cultivo adotadas pelos produtores de gengibre. Durante os trabalhos de campo, pesquisadores visitaram dezenas de propriedades e observaram a ausência de um padrão único para aspectos como espaçamento e quantidade de fertilizantes utilizados.
Os estudos com a cultivar Imigrante continuam. Atualmente, o Ifes realiza novos testes voltados ao sistema de produção convencional, com a expectativa de avaliar o desempenho da variedade em diferentes condições de manejo.
O desenvolvimento das cultivares contou ainda com a colaboração do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e das prefeituras de Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina. A iniciativa reforça a importância da integração entre produtores, instituições de pesquisa e poder público para o avanço tecnológico e a inovação no campo. Com informações: Globo Rural.
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