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Policiais cumpriram mandados durante a Operação Lívia, que investiga a atuação de um grupo suspeito de aliciar e coagir adolescentes por meio de ambientes digitais (Foto: Reprodução/Polícia Civil)
Por: Editorial | 04/08/2026 13:25
A morte de uma adolescente de 13 anos, moradora de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, durante uma transmissão ao vivo em uma plataforma digital levou a Polícia Civil do Estado a deflagrar uma operação contra um grupo suspeito de aliciar, coagir e ameaçar jovens por meio de comunidades virtuais. Batizada de Operação Lívia, a ação foi realizada nesta terça-feira (4) com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB), em uma investigação que ultrapassa as fronteiras de Mato Grosso do Sul.
A apuração teve início após a morte da adolescente, ocorrida no mês passado, em circunstâncias que, segundo os investigadores, envolveriam a participação de integrantes de um grupo organizado em ambientes digitais. A investigação aponta que os suspeitos teriam submetido a vítima a pressão psicológica e a incentivado a praticar atos de violência contra si mesma. O episódio teria sido transmitido ao vivo em uma comunidade digital.
Nesta terça-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Entre os alvos estão cinco adolescentes e um adulto. Até a divulgação das primeiras informações sobre a operação, quatro dos adolescentes já haviam sido apreendidos.
De acordo com a investigação, o grupo teria uma estrutura organizada e desempenharia diferentes funções, desde a aproximação e o recrutamento de possíveis vítimas até a indução a comportamentos violentos e a divulgação de conteúdos produzidos durante essas situações. O caso permanece sob sigilo, e as autoridades ainda analisam os materiais recolhidos durante o cumprimento das ordens judiciais.
Cumprimento de mandados durante operação 'Lívia' (Foto: Reprodução/PF)
Informações obtidas no decorrer da apuração indicam ainda que outra adolescente teria sido alvo de ações semelhantes durante uma transmissão ao vivo. Segundo pessoas com conhecimento do caso, a jovem teria sido incentivada pelos participantes a praticar atos de violência contra si, mas deixou a transmissão antes que a situação avançasse. A investigação também apura outros possíveis crimes relacionados ao grupo, incluindo suspeitas de maus-tratos contra um animal.
A Operação Lívia integra uma iniciativa nacional de combate à violência e à misoginia praticadas em ambientes digitais. O trabalho é desenvolvido no âmbito do Centro Integrado Mulher Segura (CIMS), estrutura voltada ao monitoramento de comunidades virtuais, ao intercâmbio de informações e ao suporte técnico para investigações relacionadas a crimes cometidos contra mulheres, crianças e adolescentes na internet.
O CIBERLAB teve participação na análise de evidências digitais, na produção de informações de inteligência e no cruzamento de dados capazes de apontar possíveis vínculos entre os investigados. A atuação conjunta também permitiu ampliar a apuração para diferentes estados, diante da suspeita de que os integrantes do grupo estariam espalhados por várias regiões do país.
Caso em Naviraí leva a operação contra grupo que aliciava adolescentes online (Foto: Divulgação)
Caso em Naviraí leva a operação contra grupo que aliciava adolescentes online (Foto: Divulgação/PC)
Paralelamente à Operação Lívia, o Ministério da Justiça apresentou os resultados da Operação Rede Interrompida, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal. A investigação tem como alvo uma rede extremista que utilizava comunidades no aplicativo Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, além de buscar novos integrantes e discutir possíveis ações violentas.
Na operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A ação contou com a participação das polícias civis das unidades envolvidas, do CyberGAECO do Ministério Público de Santa Catarina, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do CIBERLAB.
As investigações apontam que a rede utilizava os espaços virtuais para compartilhar materiais relacionados à fabricação de artefatos explosivos, discutir estratégias de recrutamento e disseminar mensagens de ódio contra diferentes grupos, incluindo mulheres que ocupam posições de autoridade.
Entre os investigados está um seminarista ligado a um mosteiro localizado em Pernambuco. Segundo os investigadores, ele participaria de discussões sobre a expansão e a organização nacional da rede extremista. A polícia também identificou conversas nas quais o suspeito demonstraria interesse em materiais relacionados à ideologia nazista e antissemita. Um mandado de busca foi cumprido no alojamento utilizado por ele no mosteiro.
As autoridades ressaltam que as investigações continuam e que a responsabilização dos suspeitos dependerá da análise das provas reunidas e da conclusão dos respectivos inquéritos policiais. O material apreendido nas duas operações deverá ser submetido a perícia e poderá contribuir para a identificação de novos integrantes e para o esclarecimento da atuação das redes investigadas.
(Foto: Reprodução/Polícia Civil)
Segundo o Ministério da Justiça, as operações demonstram a necessidade de atuação integrada diante de crimes praticados em ambientes digitais. A análise de dados e evidências virtuais permite identificar conexões entre pessoas que atuam em diferentes localidades e acompanhar a formação de grupos que utilizam plataformas digitais para disseminar violência, discursos de ódio ou recrutar novos participantes.
A Operação Lívia e a Operação Rede Interrompida fazem parte do eixo de enfrentamento à misoginia digital do Centro Integrado Mulher Segura. A iniciativa reúne ações de inteligência, monitoramento e apoio às forças de segurança em investigações relacionadas à violência de gênero e a outros crimes praticados por meio da internet.
As investigações permanecem em andamento, com novas diligências previstas para identificar outros possíveis envolvidos, analisar os dispositivos e documentos apreendidos e reunir elementos que possam esclarecer a extensão das atividades dos grupos. Redação @Portaldoconesul
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