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STF retoma julgamento que pode definir futuro da legalidade dos jogos de azar no Brasil


Supremo Tribunal Federal analisa se mantém a punição para atividades como jogo do bicho, bingos e máquinas caça-níqueis previstas na Lei de Contravenções Penais.
Supremo Tribunal Federal analisa nesta quinta-feira a validade da norma que mantém jogos de azar como contravenção penal no Brasil (Foto: Divulgação/STF). Por: Editorial | 06/08/2026 07:16

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quinta-feira (6) o julgamento que irá definir se a exploração de jogos de azar continua sendo considerada ilegal no Brasil. Entre as atividades analisadas estão o jogo do bicho, os bingos e as máquinas caça-níqueis.

O processo teve início na quarta-feira (5), mas foi interrompido após o começo do voto do ministro Luiz Fux, relator do caso. Durante sua manifestação, Fux indicou entendimento favorável à manutenção da criminalização dessas práticas e destacou preocupações relacionadas aos impactos sociais e ao crescimento das apostas, incluindo as plataformas digitais conhecidas como bets.

A análise ocorre a partir de um recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra decisões da Justiça estadual que deixaram de aplicar punições previstas para a exploração de jogos de azar. Os juizados gaúchos argumentaram que a proibição poderia entrar em conflito com princípios constitucionais, como a livre iniciativa e direitos individuais.

O julgamento envolve a avaliação da validade do artigo 50 da Lei de Contravenções Penais, criada em 1941, que considera infração estabelecer ou administrar jogos de azar em locais públicos ou acessíveis ao público. A legislação prevê pena de prisão simples de três meses a um ano, além de aplicação de multa.

Durante o voto, Fux ressaltou que a discussão não trata da punição de quem realiza apostas, mas da exploração comercial dessas atividades. Segundo o ministro, os jogos de azar podem gerar consequências relacionadas à criminalidade organizada, impactos econômicos e riscos à saúde das pessoas.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também defendeu a permanência das punições para quem explora jogos de azar. Para ele, a restrição busca proteger não apenas os apostadores, mas também familiares e a sociedade diante de possíveis consequências associadas ao vício em jogos.

Além do relator, outros nove ministros ainda devem apresentar seus votos. A decisão final do Supremo terá efeito para todas as instâncias da Justiça brasileira e poderá influenciar pelo menos 2,7 mil processos que aguardam a definição da Corte. Com informações: STF

 

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