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Crédito rural sofre forte queda no início da safra 2026/27 e preocupa produtores


Liberação de recursos caiu mais de 50% em comparação ao mesmo período do ciclo anterior, pressionada por restrições financeiras e incertezas no campo.
Produtores rurais enfrentam redução no acesso ao crédito no início da safra 2026/27, com queda expressiva nos financiamentos liberados (Foto: Giovani Wrasse/Irga) Por: Editorial | 07/08/2026 10:13

O início da safra 2026/27 começou com uma forte retração na liberação de crédito rural no Brasil. Mesmo com a redução das taxas de juros em algumas linhas de financiamento, os produtores receberam apenas R$ 12,7 bilhões em recursos durante julho, valor inferior a metade dos R$ 28,3 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior.

A queda ocorreu em todas as principais modalidades de financiamento agrícola. As operações destinadas ao custeio, usadas para despesas do ciclo produtivo, recuaram de R$ 19,9 bilhões para R$ 9,2 bilhões. Já os financiamentos para investimentos caíram de R$ 4,1 bilhões para menos de R$ 1 bilhão.

Também houve redução nos recursos destinados à comercialização e à industrialização, que passaram de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,4 bilhão e de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,1 bilhão, respectivamente.

O número de contratos firmados também apresentou retração significativa. Foram registrados 77,2 mil contratos no primeiro mês da nova safra, contra 179,2 mil no mesmo período do ciclo anterior.

Segundo dados do Banco Central, aproximadamente R$ 9,1 bilhões liberados em julho vieram de linhas com recursos controlados, enquanto outros R$ 3,5 bilhões tiveram origem em fontes não controladas, com taxas definidas pelo mercado.

Especialistas apontam que a demora na definição das regras de equalização dos financiamentos pelo Tesouro Nacional contribuiu para reduzir o ritmo das liberações. A autorização para o pagamento da equalização ocorreu apenas no fim de julho, limitando o avanço das operações no começo da temporada.

Além das dificuldades de acesso ao crédito, produtores enfrentam um cenário de maior endividamento, custos elevados e preocupação com as condições climáticas. A expectativa de um possível El Niño mais intenso aumenta os riscos para a produção, especialmente diante da baixa cobertura de seguro rural.

Representantes do setor avaliam que a combinação entre menor oferta de recursos, maior cautela dos bancos e dificuldades financeiras pode levar agricultores a reduzir investimentos nas lavouras, incluindo gastos com tecnologia, fertilizantes e outros insumos.

O governo federal informou que acompanha a situação e destacou a necessidade de cautela por parte dos produtores na contratação de novos financiamentos. Também estão em andamento medidas para renegociação de dívidas agrícolas, que podem abrir espaço para novas operações de crédito ao longo da safra.

Apesar da redução dos juros anunciada no Plano Safra, especialistas ressaltam que a medida, isoladamente, não resolve os desafios estruturais do setor, que envolvem garantias financeiras, disponibilidade de recursos e proteção contra riscos climáticos. Com informações: Brasil Agro.

 

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