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Tarcísio e Haddad travam 1º debate com embates sobre organizações criminosas, tarifaço e privatizações


Confronto entre candidatos ao governo de São Paulo foi marcado por disputa de números, críticas às gestões estadual e federal e momentos de tensão.
Debate entre Haddad e Tarcísio na Band (Foto: Renato Pizzutto/Band) Por: Editorial | 10/08/2026 08:12

Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) protagonizaram neste domingo (9), na Band, o primeiro debate do primeiro turno para o governo de São Paulo. O encontro teve clima de segundo turno e foi marcado por confronto de dados, críticas às gestões estadual e federal e discussões sobre segurança pública, crime organizado, tarifaço dos Estados Unidos e privatizações.

Sem a participação de outros candidatos com representatividade no Congresso, os dois concentraram o debate na tentativa de defender os resultados de seus grupos políticos e questionar as propostas e números apresentados pelo adversário.

Haddad buscou nacionalizar a disputa ao associar Tarcísio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e destacar ações do governo federal em São Paulo. Tarcísio, inicialmente contrário ao tom, passou a defender Bolsonaro durante o segundo bloco e aproveitou para criticar a gestão do governo Lula.

Educação

A educação abriu o debate. Os candidatos foram questionados sobre o desempenho de São Paulo no Ideb e sobre medidas para melhorar os índices do estado.

Tarcísio defendeu ações de sua gestão, como a ampliação das escolas de tempo integral, o ensino profissionalizante, a recuperação da aprendizagem e a formação continuada de professores. Segundo o governador, houve aumento de 150 mil matrículas e quase 500 novas escolas de tempo integral.

Haddad classificou a situação da educação paulista como preocupante e afirmou que São Paulo perdeu posições em indicadores de qualidade do ensino médio. O candidato também criticou o uso de plataformas digitais nas escolas e defendeu maior valorização dos professores e investimentos em infraestrutura.

Durante o confronto, Tarcísio rebateu os dados apresentados pelo adversário e afirmou que os números deveriam considerar também os estudantes do ensino profissionalizante.

Segurança e crime organizado

A segurança pública foi um dos principais temas do encontro. Tarcísio destacou ações de combate ao crime na região central de São Paulo e citou medidas relacionadas à Cracolândia, além da integração entre forças de segurança, Ministério Público e Judiciário.

O governador também afirmou que São Paulo possui índices de feminicídio e mortes violentas de mulheres abaixo da média nacional e citou a ampliação da rede de atendimento às vítimas.

Haddad, por outro lado, criticou os indicadores de violência contra as mulheres e questionou as políticas de segurança do governo estadual. O petista também citou o aumento de crimes raciais e roubos de celulares.

O combate ao crime organizado provocou um dos momentos mais tensos do debate. Haddad defendeu a criação de um gabinete institucional de segurança pública, reunindo polícias estaduais, Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal e Coaf.

Tarcísio respondeu destacando operações de inteligência e medidas de combate à estrutura financeira das organizações criminosas. O governador citou ainda ações realizadas em diferentes regiões do estado.

Em seguida, Tarcísio mencionou uma imagem de Haddad ao lado de uma mulher que, segundo ele, seria ligada ao tráfico na favela do Moinho. Haddad reagiu e questionou o governador sobre o assunto, afirmando que, caso soubesse que a mulher era traficante, deveria ter determinado sua prisão.

Tarifaço de Trump

As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também entraram no debate.

Haddad defendeu uma atuação conjunta do governo federal e dos estados para enfrentar os efeitos das medidas norte-americanas. Ele citou o Plano Brasil Soberano, criado pelo governo federal para apoiar empresas afetadas e buscar novos mercados.

Tarcísio afirmou que o tarifaço prejudica especialmente setores industriais paulistas e apresentou medidas adotadas pelo estado, como a antecipação da devolução de créditos acumulados de ICMS para empresas exportadoras e linhas de crédito.

Os dois também divergiram sobre a renegociação da dívida de São Paulo com a União e sobre a capacidade de investimento do estado.

Túnel Santos-Guarujá

O projeto do túnel entre Santos e Guarujá também foi motivo de disputa. Tarcísio destacou a parceria entre os governos estadual e federal e afirmou que os recursos necessários já estavam depositados.

Haddad, por sua vez, ressaltou investimentos e financiamentos federais destinados a São Paulo e citou recursos do BNDES para obras e projetos no estado.

Privatizações

No terceiro bloco, Haddad criticou a política de privatizações defendida por Tarcísio, citando a venda da Sabesp, concessões de transporte e a implantação do sistema de pedágio free flow.

O candidato do PT cobrou uma avaliação dos resultados das privatizações e questionou os investimentos realizados pelo governo estadual.

Tarcísio defendeu as medidas adotadas durante sua gestão e citou investimentos em saneamento, transporte, educação e infraestrutura como parte dos resultados do governo.

Durante a discussão, Haddad chamou o governador de “meio de decoreba”, afirmando que ele recorria a números e nomes de cidades para tentar desviar das perguntas.

Considerações finais

Nas considerações finais, Tarcísio defendeu a continuidade de seu governo e citou avanços nas áreas de segurança, educação, saúde, habitação e infraestrutura. O governador também prometeu ampliar investimentos, transporte sobre trilhos e o uso de inteligência artificial nos serviços públicos.

Haddad afirmou que Tarcísio não teria cumprido promessas e criticou a apresentação de obras ainda em andamento como resultados já concluídos.

O petista também citou sua passagem pela Prefeitura de São Paulo e criticou o prefeito Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio, em relação às contas municipais e a um contrato de Wi-Fi que, segundo Haddad, teria relação com o PCC.

O debate terminou sem pedidos de direito de resposta e consolidou o primeiro grande confronto direto entre Tarcísio e Haddad na disputa pelo governo paulista. Com informações: g1

 

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