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Exportações brasileiras de soja devem atingir novo recorde em 2026, segundo projeção da Anec (Foto: Reprodução/Globo Rural)
Por: Editorial | 10/08/2026 09:15
O Brasil deve alcançar em 2026 um novo recorde nas exportações de soja, com previsão de embarque de aproximadamente 114 milhões de toneladas, segundo estimativa da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O volume representa crescimento próximo de 5% em relação ao recorde anterior, registrado em 2025.
A projeção foi mantida pela entidade diante do aumento da produção nacional e de uma demanda externa considerada aquecida. Apesar do cenário favorável para as exportações, a Anec chama atenção para as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores rurais, que podem comprometer o ritmo de expansão da produção nos próximos ciclos.
Nos primeiros sete meses de 2026, o país embarcou 84,8 milhões de toneladas de soja para o mercado externo. O resultado supera em cerca de 5 milhões de toneladas o volume registrado no mesmo período do ano anterior.
Para agosto, a associação estima inicialmente exportações de 9,74 milhões de toneladas da oleaginosa. Caso a previsão se confirme, o Brasil poderá chegar ao fim do mês com aproximadamente 94,5 milhões de toneladas de soja exportadas no acumulado de 2026.
O desempenho, entretanto, ocorre em meio a um cenário de preocupação no campo. De acordo com Jean Carlo Budziak, engenheiro agrônomo responsável pela área de Inteligência de Mercado da Anec, o aumento do endividamento dos produtores, combinado com margens mais apertadas e restrições de crédito, demonstra que a recuperação financeira do setor ainda enfrenta obstáculos.
Um levantamento realizado pela entidade em Mato Grosso mostrou que o custo médio para produzir uma tonelada de soja chegou a cerca de US$ 423,31, enquanto a receita obtida com a exportação foi estimada em US$ 417,01 por tonelada.
A diferença entre custos e receita pode representar um desafio para a expansão das áreas cultivadas e da produção nas próximas safras. A avaliação da Anec é que o setor deve continuar crescendo, mas em um ritmo possivelmente inferior ao observado nos últimos anos.
Milho enfrenta maior concorrência internacional
Enquanto a soja mantém perspectiva positiva, o mercado brasileiro de milho apresenta um cenário mais desafiador. A programação inicial de navios indica que os embarques do cereal podem ficar próximos de 4 milhões de toneladas em agosto, abaixo das 7,34 milhões de toneladas exportadas no mesmo mês de 2025.
A Anec ressalta que essa projeção ainda pode ser revisada nas próximas semanas. Agosto tradicionalmente ganha importância para as exportações de milho brasileiro devido ao avanço da colheita da segunda safra, período em que há maior disponibilidade do cereal para embarque.
Em 2026, porém, o Brasil enfrenta uma concorrência mais intensa de países como Estados Unidos e Argentina. Considerando os embarques realizados entre janeiro e julho e a previsão inicial para agosto, as exportações brasileiras de milho podem chegar a 13,2 milhões de toneladas no acumulado do ano, uma redução de aproximadamente 22,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Farelo de soja mantém desempenho positivo
As exportações de farelo de soja apresentam comportamento diferente. Para agosto, a Anec projeta embarques de aproximadamente 2,475 milhões de toneladas, volume superior em mais de 450 mil toneladas ao registrado no mesmo mês do ano passado.
Os números reforçam a importância do complexo soja para a balança comercial brasileira, ao mesmo tempo em que evidenciam os desafios financeiros que podem influenciar a capacidade de crescimento do setor agrícola nos próximos anos. Com informações: Brasil Agro.
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