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Colisões com antas disparam nas rodovias de Mato Grosso do Sul e chegam a 58 casos


Levantamento aponta aumento superior a 1.000% nos registros no primeiro trimestre de 2026; acidentes envolvendo a espécie também já provocaram 51 mortes no estado em 13 anos.
Anta foi atropelada na MS-040, uma das rodovias de Mato Grosso do Sul com registros de colisões envolvendo animais silvestres (Foto: Direto das Ruas) Por: Editorial | 11/08/2026 17:31

O número de acidentes envolvendo antas nas rodovias de Mato Grosso do Sul apresentou forte crescimento em 2026. Dados da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab) apontam que os registros passaram de cinco, no primeiro trimestre de 2025, para 58 nos três primeiros meses deste ano, uma alta superior a 1.000%.

Os dados fazem parte do Mapa de Colisões com a Fauna, desenvolvido pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em parceria com o Observatório Rodovias Seguras para Todos. O levantamento mostra ainda que as colisões com animais silvestres nas estradas do estado cresceram 69% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.

Embora a anta apareça na nona posição entre as espécies com mais registros de acidentes, os casos envolvendo o animal costumam apresentar consequências mais graves devido ao seu grande porte. Considerada o maior mamífero terrestre da América do Sul, a anta pode pesar até 300 quilos.

Segundo Patrícia Medici, bióloga e coordenadora da Incab, uma colisão com uma anta pode provocar danos significativos aos veículos, ferimentos graves e mortes. Em muitos casos, os automóveis ficam completamente danificados após o impacto.

Um dos acidentes mais recentes ocorreu em 3 de agosto, na BR-267, entre Rio Brilhante e Maracaju. Uma adolescente de 13 anos e um homem de 38 morreram após o carro em que estavam atingir uma anta que atravessava a rodovia.

Após a colisão, o motorista perdeu o controle do veículo, invadiu a pista contrária e bateu de frente com um caminhão que transportava etanol. Os dois veículos pegaram fogo.

O levantamento também revela a dimensão do problema envolvendo outras espécies. Nos últimos 13 anos, foram registrados cerca de 1,8 mil acidentes envolvendo tatus-peba, espécie que lidera os registros. Aves e cachorros-do-mato aparecem na sequência, com aproximadamente 1,4 mil ocorrências cada.

Também foram contabilizados mais de 700 registros envolvendo tatu-galinha e jacaré-do-pantanal. Tamanduá-bandeira, capivara e tamanduá-mirim ultrapassam 500 ocorrências cada. No caso das antas, são 333 registros acumulados no período.

Entre as rodovias consideradas mais críticas, a BR-262 concentra cerca de 8,1 mil colisões com animais. Na sequência aparecem a BR-267 e a MS-040, ambas com mais de 2 mil ocorrências.

De acordo com especialistas, a expansão das atividades humanas sobre áreas naturais contribui para o aumento dos acidentes. A redução da vegetação nativa e a fragmentação dos habitats fazem com que os animais se desloquem entre áreas remanescentes, aumentando a necessidade de atravessar rodovias.

Entre os fatores relacionados à alteração dos ambientes estão a expansão da agricultura, da silvicultura, da pecuária e a ocorrência de incêndios florestais, que afetam áreas dos biomas Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica presentes em Mato Grosso do Sul.

Medidas de prevenção já são utilizadas em diferentes regiões, como o mapeamento dos trechos de maior risco, instalação de cercas direcionadoras e construção de passagens específicas para a fauna.

Estudos citados pelo instituto de pesquisa da organização Pew Charitable Trusts indicam que a combinação de cercas direcionadoras com passagens inferiores pode reduzir em até 80% os acidentes envolvendo animais nas rodovias.

A adoção dessas estruturas depende das características de cada trecho e de avaliações técnicas que identifiquem os locais com maior circulação de animais. Para especialistas, o conhecimento sobre as áreas críticas e as medidas de prevenção já está disponível e pode orientar ações destinadas a reduzir acidentes e preservar tanto a fauna quanto a segurança dos motoristas. Com informações: CG News.

 

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