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Máquinas trabalham na colheita em lavoura durante período de tempo seco em Mato Grosso do Sul. (Foto: Aprosoja/MS)
Por: Editorial | 12/08/2026 14:58
O agronegócio brasileiro iniciou 2026 sob forte pressão financeira. No primeiro trimestre deste ano, foram registrados 474 pedidos de recuperação judicial no setor, um aumento de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian.
Mato Grosso do Sul está entre os estados com maior número de solicitações. Entre janeiro e março, foram contabilizados 38 pedidos no Estado, que ocupa a quarta posição no ranking nacional.
Mato Grosso lidera a lista, com 135 solicitações, seguido por Goiás, com 73, e Paraná, com 50. O número registrado em Mato Grosso do Sul também representa uma alta em relação ao último trimestre de 2025, quando foram contabilizados 408 pedidos em todo o país, contra 474 nos primeiros três meses de 2026.
Apesar do crescimento, o resultado ainda está abaixo do maior volume recente. No terceiro trimestre de 2025, o país havia registrado 628 pedidos de recuperação judicial ligados ao agronegócio.
O levantamento reúne produtores rurais que atuam como pessoas físicas ou jurídicas, além de empresas integrantes da cadeia produtiva do setor.
Segundo a Serasa Experian, entre os fatores que ajudam a explicar o aumento estão a dificuldade de acesso ao crédito, a elevação dos custos de produção e o crescimento do endividamento. A combinação desses fatores tem pressionado o fluxo de caixa de propriedades rurais e empresas ligadas ao agronegócio.
Entre as principais atividades, a produção de soja concentrou a maior quantidade de pedidos no primeiro trimestre, com 137 registros. A pecuária bovina apareceu em seguida, com 42 solicitações.
O crescimento mais expressivo foi observado entre produtores rurais constituídos como pessoas jurídicas. Nesse grupo, foram registrados 196 pedidos, alta de 73,5% na comparação com os primeiros três meses de 2025.
Já entre os produtores que atuam como pessoas físicas, foram contabilizados 182 pedidos, uma redução de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 60 foram apresentados por produtores classificados como sem propriedades próprias, categoria que pode incluir trabalhadores que exploram terras arrendadas.
Entre os proprietários rurais pessoas físicas, foram registrados 44 pedidos entre pequenos produtores, 41 entre grandes e 37 entre médios produtores.
Para Marcelo Pimenta, responsável pela área de agronegócio da Serasa Experian, o desempenho do setor nos próximos meses estará ligado à capacidade de geração de receita, às margens obtidas nas atividades rurais e às condições disponíveis para renegociação das dívidas.
A recomendação da empresa é que a recuperação judicial seja considerada apenas depois de outras alternativas, como renegociação de débitos e reorganização financeira. A medida busca evitar que produtores e empresas recorram ao mecanismo antes de esgotar possibilidades de ajuste das contas. Com informações: Aprosoja MS
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