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Campo Grande aparece entre capitais com planejamento insuficiente para enfrentar desastres climáticos


Levantamento do TCU aponta que a Capital ainda precisa avançar em prevenção, proteção de populações vulneráveis, legislação e preparação para eventos extremos.
Área atingida por incêndio em Campo Grande; levantamento aponta necessidade de ampliar o planejamento da Capital para enfrentar eventos climáticos extremos (Foto: Juliano Almeida/Arquivo) Por: Editorial | 18/08/2026 13:08

Campo Grande está entre as capitais brasileiras que ainda apresentam lacunas no planejamento para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. O diagnóstico faz parte do Painel Clima Brasil, elaborado pelo Tribunal de Contas da União em parceria com tribunais de contas estaduais e municipais.

O levantamento avaliou diferentes aspectos das políticas climáticas e identificou que, entre 24 capitais analisadas, 17 não apresentam planejamento considerado adequado para enfrentar ou se recuperar de desastres relacionados às mudanças do clima. Campo Grande está entre elas.

Na avaliação sobre a Capital sul-mato-grossense, foram analisados 15 pontos relacionados à adaptação, prevenção, governança, legislação, orçamento, infraestrutura e proteção da população. Parte das ações ainda é classificada como não implementada, enquanto outras estão em estágio inicial ou próximo de uma estrutura considerada satisfatória.

Entre os principais pontos de atenção está a ausência de medidas consideradas suficientes para preparar pessoas, empresas e o meio ambiente para os efeitos atuais e futuros das mudanças climáticas. O diagnóstico também aponta que a Capital ainda precisa avançar na chamada justiça climática, especialmente na proteção de grupos mais vulneráveis.

Outro aspecto destacado é a necessidade de incorporar os riscos climáticos ao planejamento de ações voltadas à proteção da população em situações de emergência. O transporte sustentável também aparece como uma área que ainda demanda medidas para melhorar a mobilidade urbana e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Apesar das dificuldades, o levantamento identifica avanços em determinadas áreas. Campo Grande é classificada como estando próxima de consolidar estruturas governamentais voltadas ao planejamento, execução e acompanhamento de políticas climáticas.

A participação da sociedade civil, do setor privado e da comunidade científica na elaboração das políticas também aparece em processo de desenvolvimento. O planejamento territorial, a proteção ambiental, a busca por recursos para projetos relacionados ao clima e a articulação com outras esferas de governo igualmente apresentam avanços.

Em outras áreas, porém, a Capital ainda está em uma fase inicial. É o caso da criação de legislação específica para apoiar ações climáticas, da implementação de medidas para reduzir emissões, da identificação de riscos para a população e da previsão de recursos orçamentários destinados a políticas de adaptação e prevenção.

O diagnóstico também aponta iniciativas relacionadas à segurança hídrica e à saúde. A Capital começa a adotar medidas para reduzir os possíveis impactos das mudanças climáticas sobre o abastecimento de água e para enfrentar problemas de saúde associados a eventos climáticos.

O Painel Clima Brasil foi criado em 2025 para acompanhar as políticas de adaptação e mitigação adotadas por governos estaduais e municipais. A metodologia utilizada tem como referência o ClimateScanner, desenvolvido pela Organização Internacional das Instituições Superiores de Controle.

Além de Campo Grande, aparecem entre as capitais com lacunas no planejamento climático cidades como Cuiabá, Rio Branco, Maceió, Macapá, Salvador, Fortaleza, Vitória, São Luís, Curitiba, João Pessoa, Recife, Teresina, Porto Velho, Boa Vista e Palmas. Uma capital analisada pelo levantamento teve os dados classificados como confidenciais.

Segundo os responsáveis pelo estudo, o objetivo do painel é identificar pontos críticos e auxiliar os governos na definição de medidas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. A ferramenta também permite acompanhar a evolução das políticas públicas e verificar onde ainda existem deficiências.

O TCU também programou para esta semana uma maratona de inovação voltada ao tema. O evento pretende reunir equipes multidisciplinares para desenvolver soluções utilizando os dados do Painel Clima Brasil, incluindo ferramentas de monitoramento, aplicativos e recursos de comunicação.

A iniciativa busca estimular o uso contínuo das informações para identificar avanços, gargalos e oportunidades de melhoria nas políticas de prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Com informações: Campo Grande News

 

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