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Representantes da universidade, lideranças indígenas e autoridades durante a assinatura da autorização para o novo curso de línguas Terena e Guarani Kaiowá (Foto: Divulgação)
Por: Editorial | 19/08/2026 07:19
Após cerca de dez anos de articulações, Mato Grosso do Sul se aproxima da criação de um curso superior voltado ao ensino das línguas Terena e Guarani Kaiowá. A proposta, conduzida pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), recebeu autorização em julho, durante o Pantanal Tech, e agora aguarda a formação da comissão responsável pelos próximos encaminhamentos e a publicação do edital.
A expectativa é que a primeira turma seja aberta em 2027, com previsão de 70 vagas. A iniciativa pretende ampliar a formação de profissionais capacitados para atuar com as línguas indígenas e contribuir para a preservação de conhecimentos, tradições e identidades culturais.
A construção do projeto teve início após estudos que apontaram a necessidade de uma formação específica na área. Em 2016, um trabalho desenvolvido por um ex-aluno Terena identificou a demanda por um curso dessa natureza. A partir daí, foi criada uma especialização em Língua e Cultura Terena, enquanto a proposta de uma graduação continuou sendo discutida.
Para estruturar o projeto, representantes da universidade visitaram mais de 15 aldeias indígenas em Mato Grosso do Sul. Durante as visitas, foram realizadas conversas com lideranças, professores e integrantes das comunidades para compreender as necessidades relacionadas à preservação e ao ensino das línguas originárias.
O professor Marlon Leal Rodrigues, da UEMS e coordenador do Núcleo de Estudos em Análise de Discurso (NEAD), destaca a relação entre idioma, cultura e identidade. Segundo ele, muitos jovens indígenas já não dominam suas línguas tradicionais, o que reforça a importância de iniciativas voltadas à recuperação e à transmissão desses conhecimentos às novas gerações.
A UEMS também possui um histórico de políticas de inclusão indígena no ensino superior. Desde 2002, a instituição mantém reserva de vagas para estudantes indígenas em seus cursos de graduação, medida que integra a política de acesso de povos originários à universidade.
Para lideranças e professores indígenas que participaram das discussões, a criação do curso representa uma oportunidade de fortalecer a identidade cultural e ampliar o espaço das línguas originárias dentro do ensino superior.
A proposta conta ainda com articulação política para sua implementação. Viviane Luiza, ex-secretária de Estado da Cidadania de Mato Grosso do Sul e candidata a deputada federal, participou das tratativas e foi apontada pelos envolvidos como uma das interlocutoras do projeto junto ao governo estadual. A autorização foi assinada durante o Pantanal Tech, em julho.
Com os próximos procedimentos administrativos em andamento, a expectativa da universidade e das comunidades envolvidas é que o novo curso comece a funcionar em 2027, ampliando as possibilidades de formação acadêmica e contribuindo para a valorização das línguas Terena e Guarani Kaiowá.
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