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Censo inédito revela quem são as 1.476 pessoas que vivem nas ruas de Campo Grande


Levantamento aponta presença de crianças, imigrantes, falta de documentos e déficit de vagas em unidades de acolhimento na Capital.
Levantamento identificou 1.476 pessoas vivendo nas ruas ou em unidades de acolhimento de Campo Grande. (Foto: Osmar Veiga) Por: Editorial | 19/08/2026 14:25

Um levantamento inédito realizado em Campo Grande revelou um retrato amplo da população em situação de rua na Capital. Ao todo, 1.476 pessoas foram identificadas vivendo em vias públicas ou em instituições de acolhimento, mostrando a dimensão de uma realidade marcada por vulnerabilidades sociais, dificuldades de acesso a serviços básicos e diferentes histórias de vida.

Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (19), Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua. O levantamento foi realizado em um único dia, em 30 de setembro de 2025, quando 32 equipes percorreram diferentes regiões de Campo Grande, incluindo áreas urbanas e rurais.

Entre os principais dados está a origem das pessoas identificadas. Quase metade nasceu na própria Capital. Os imigrantes representam aproximadamente 17% do total, enquanto outras pessoas chegaram ao município vindas de diferentes cidades brasileiras.

A falta de documentação também aparece como um dos obstáculos enfrentados por parte dessa população. Sem documentos pessoais, o acesso a benefícios sociais, oportunidades de emprego e outros serviços públicos pode se tornar ainda mais difícil.

Outro dado que chamou atenção foi a presença de crianças. O censo contabilizou 56 crianças entre as pessoas identificadas, sendo que seis estavam em situação de rua sem estar acolhidas em uma instituição.

O levantamento também apontou que cerca de um quinto dos entrevistados declarou possuir algum transtorno mental. Mais de 30% afirmaram estar vivendo nas ruas há mais de seis anos, indicando que uma parcela significativa enfrenta uma situação prolongada de vulnerabilidade.

Entre os motivos apontados para a saída de casa, o uso de drogas aparece como o principal fator mencionado, seguido por conflitos familiares. A maioria dos entrevistados não possui emprego formal e aproximadamente 40% informou ter alguma fonte de renda informal, com destaque para atividades relacionadas à coleta e venda de materiais recicláveis.

Os benefícios sociais alcançam pouco mais da metade dessa população. Para aqueles que não possuem renda ou acesso regular a serviços, doações acabam desempenhando papel importante na alimentação e na sobrevivência cotidiana.

O levantamento também identificou as regiões onde há maior concentração de pessoas em situação de rua. Os principais pontos estão nas regiões Central e Anhanduizinho, área que reúne bairros como Aero Rancho, Caiobá, Guanandi e Los Angeles. Um mapa produzido a partir do georreferenciamento deverá detalhar posteriormente esses locais.

A quantidade de pessoas identificadas também evidencia uma diferença entre a demanda e a estrutura disponível para acolhimento. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, as Unidades de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias possuem cerca de 420 vagas. A pasta informou ainda manter vagas por meio de instituições conveniadas.

A Defensoria Pública aponta, porém, que a assistência não deve se limitar à oferta de vagas em unidades fixas. Segundo a instituição, também são necessárias equipes capazes de atender diretamente as pessoas que permanecem nas ruas, inclusive durante fins de semana e feriados.

A realização do censo envolveu servidores públicos, profissionais que atuam diretamente com a população em situação de rua, representantes da Defensoria Pública, Ministério Público, IBGE, secretarias estaduais e municipais e uma organização voltada à redução de danos.

De acordo com os responsáveis pelo levantamento, a participação de profissionais que já trabalham com esse público contribuiu para uma abordagem mais adequada durante as entrevistas e para a obtenção de informações sobre diferentes aspectos da vida dessas pessoas.

Para a administração municipal, conhecer esse perfil representa uma etapa inicial para revisar as políticas públicas destinadas à população em situação de rua. A Prefeitura informou que utiliza os dados para subsidiar a revisão do planejamento municipal da assistência social.

O levantamento mostra que a situação de rua envolve diferentes fatores e não pode ser explicada por uma única causa. Além das questões relacionadas à dependência química e aos conflitos familiares, aparecem problemas de saúde, falta de documentação, desemprego, ausência de moradia e dificuldade de acesso a serviços básicos. Com informações: Campo Grande News

 

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